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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

[judaismoonline] ALGUMAS PALAVRAS EM HEBRAICO - TRADUZIDAS-Carlos Lins

ACHAM - é um dos sacrifícios que somente são apresentados pelas pessoas em particular, isto é, não faz parte dos sacrifícios apresentados pelo público. Só pode ser trazido de gado ovino, e só de machos desta espécie. Casos em que a pessoa se obriga neste sacrifício são várias, porém sempre clara sua culpabilidade, que é sua característica especial, que o distingue claramente do sacrifício ĥatat ou acham talúi. Como exemplo de pessoa que se obriga neste sacrifício, temos a pessoa que prometeu ou jurou algo, e deixou de cumprir com sua palavra. (Clique aqui para voltar)
ACHAM TALÚI - é o sacrifício apresentado pela pessoa que está em dúvida se transgredira algum preceito sobre o qual deveria trazer sacrifício ĥatat, ou não. A palavra "talúi" significa depende. (v. ĥatat ) - (voltar)
ACHAM VADÁI - a expressão "vadái" indica "certeza". quer dizer, trata-se do sacrifício "acham" acerca do qual não há nehuma sombra de dúvida da obrigação de que seja apresentado. (voltar)
ACHERÁ - certos povos e religiões na antiguidade costumavam plantar árvores especialmente para serem adoradas, ou para servir de local de ajuntamento popular idólatra. Tal árvore tem o nome de "acherá" na Torá. Havendo sido uma das várias formas de idolatria comuns na época da outorga da Torá, Deus nos proibira até mesmo o plantio de qualquer árvore nas cercanias do altar, por ser demasiado similar a esta forma idolátrica antiga. Resquícios desta idolatria serão ainda encontrados, muito provavelmente, no extremo oriente, como o são diversas formas outras ainda em nossos dias conforme eram realizadas em sua forma original. - Leis de idolatria 6:14 - (voltar) (voltar)
AĤARONIM - assim são chamados os rabinos posteriores à escrita do Chulĥan 'Arukh, de Rabi Iossêf Caro, que vivera entre os séc. XV e XVI. Literalmente, significa: "últimos". Anteriores a eles, estão os "Richonim" - lit. "primeiros, que se situam no tempo desde o fim do período dos geonim (princípio ou metade do séc. XI) até a compilação do Chulĥan 'Arukh. Cabe lembrar aqui que, para o Rambam, não existe importância na ordem cronológica rabínica, conforme é claro em seu prefácio ao Michná Torá (Veja também Leis de Mamrim cp. 1). Outros grandes sábios, anteriores ou posteriores ao Chulĥan 'Arukh também se deram conta do fato que não há motivo para tal cronologia, que tende a prejudicar a verdadeira compreensão da Torá, como por exemplo, o Gaon de Vilna, que vivera na Lituânia no séc. XVI, ou Moharam Alachqar, entre os sefaraditas orientais. (voltar)
AMORÁ - (plural: amoraím) Assim foram chamados os últimos rabinos do Talmud, a partir da anulação da semikhá por razão da diáspora e dos problemas por ela acarretados. Apesar de que muitos dos Sábios da Terra de Israel continuaram dispondo dela por quase meio milênio após o princípio do período dos amoraím, também são assim conhecidos. A palavra deriva do verbo "amar" (dizer), por serem os encarregados de "dizer" à geração posterior ao período tanaíta, as palavras dos tanaím. - V. "Taná". (voltar)
ANDRÓGINUS - o mesmo que "andrógino" em língua portuguesa, ou seja, a pessoa que nasce com os dois sexos. É desnecessário dizer que o termo é de origem javânica. (voltar)
GÊZEL e AVAQ GÊZEL - "Gêzel" - é uma das palavras que traduzem por "roubo", e sua equivalência real em português ou em qualquer idioma ocidental, inexiste. O sentido mais prático equivalente a roubo em português é "genevá" - que é a tradução exata do termo. "Gêzel" refere-se a casos variados, como por exemplo o caso de uso de utensílio de outrem sem a devida permissão, estando este cônscio ou não, ou de manter à força objeto ou dinheiro de outra pessoa contra sua vontade. Quanto ao assalto, há determinados casos nos quais a palavra certa é gêzel, e outros nos quais o termo correto a ser aplicado é "chôd" - que é o termo mais apropriado para assalto à mão armada. "Avaq gêzel" é um derivado - o significado de "avaq" é "pó", ou "poeira". Refere-se a casos nos quais a pessoa se usa de coisas de outro que, por pura bondade, ou por bom proceder, não querendo dizer "não", dá sua permissão, ou convite, mas em seu âmago sabe que sua situação pecuniária não lhe permite certas concessões. Seja "gêzel" ou "avaq gêzel" - tudo isto é proibido. (voltar)
AVIV (ou nissan) - é o primeiro mês do ano judaico para a contagem de períodos de reinados, e o sétimo a partir de Tishrê, o primeiro mês do calendário judaico. é o mês da primavera na Terra de Israel, que é o significado da palavra "abib". (Aviv, no hebraico hodierno de Israel). (voltar)
AVOT MELAKHÁ - São os trinta e nove trabalhos principais proibidos no chabát. 1) arar; 2) semear; 3) ceifar; 4) fazer feixes (de espigas de cereais, por exemplo); 5) trilhar (bater para tirar as sementes); 6) dispersar (grãos, para separar o imprestável); 7) selecionar; 8) peneirar; 9) moer; 10) amassar ; 11) assar (cozinhar); 12) tosquiar; 13) embranquecer (fios de tecido); 14) cardar; 15) tingir; 16) fiar; 17) esticar o fio no no vertical (no tear); 18) trançar (fios no horizontal - no tear); tecer; 20) cortar; 21) atar; 22) desatar; 23) costurar; 24) rasgar; 25) construir; 26) destruir; 27) bater com martelo; 28) caçar; 29) degolar; 30) pelar (animal); 31) curtir (pele); 32) pelar ( tirar o pelo da pele); 33) cortar (a pele); 34) escrever; 35) apagar (o escrito); 36) esboçar; 37) acender; 38) apagar (o fogo); 39) transportar (de um recinto particular para um recinto público, ou vice-versa). - (Michná - Tr. Chabát, pg 73). (voltar)
'AM HA-ARETZ - (plural: 'amê ha-aretz) - literalmente, significa: "o povo da terra". Assim são chamados os ignorantes do conhecimento da Torá. O termo é pejorativo, pois compara os ignorantes de Torá ao "povo que habitava a Terra antes da entrada do povo hebreu na Terra de Israel", que não tiveram o mérito de receber a Torá, estando perdidos em suas açõs abjetas e repletas de conspurcações ignominiosas diversas, além de obscenidades inúmeras, que eram geralmente oriundas de suas práticas religiosas diversas. (voltar)
'AMIDÁ - a oração judaica, chamada por este nome por ser dita estando a pessoa de pé, que é o significado do termo. É também chamada de "chemonê 'esserê" ("dezoito"), em alusão às dezoito bênçãos que a compõem, às quais acrescentara-se nos dias de Raban Chimeon ben-Gamliel uma a mais, transformando a oração em dezenove bênçãos (v. "min" e a explanação acerca da razão deste acréscimo). (voltar)

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'AVODÁ - (pronuncia-se segundo a tradição sefardita: "'abodâ") - lit.: "trabalho" - relaciona-se, geralmente, ao trabalho do Templo. Assim chama-se a última das bênçãos de petições na 'amidá, ou oração diária, que é a petição concernente ao trabalho sacrificial do Templo. (voltar)
'AZARA - em português traduzira-se por "átrio". Trata-se do setor do templo no qual as pessoas (israelitas) em geral podiam chegar, sem ser sacerdotes ou levitas. neste lugar não podiam ser efetuados os sacrifícios, ou pormenores deles. (voltar)
'ATZÊRET - nome secundário para a festa de chavu'ôt, que se comemora no quinquagésimo dia após o primeiro dia da festividade dos pães ázimos (Festa do Pêssaĥ). Não confundir com "chemini 'atzêret", que é o dia que procede aos sete dias da festa de sucôt (traduzido geralmente como "festa de tabernáculos" ou "cabanas"). Em chavuôt comemoramos a recebimento da Torá, e o nome "chavuôt" significa "semanas", por serem sete semanas a partir da segunda noite da festa do Pêssaĥ, no cúlmino das quais é comemorada. Fora seu nome comumente traduzido entre as nações "pentecostes". (voltar)
BAREKHU - literalmente, "Bendizei". No princípio da oração pública, entre os israelitas, diz o chaliĥ tsibur: "Barekhu et-Ado-nái ha-Mevorakh!" ("Bendizei a Deus, que é abençoado!") ao que o público responde: "Barukh Adonái ha-Mevorakh le'olam va'ed!" ("Bendito é o Eterno, que é abençoado, para todo o sempre!") - após o que principia-se as bênçãos do Chemá, que antecede a oração ("'amidá")
BELORIT - (na atualidade, é pronunciado pela maioria: blurit) - mecha de cabelo em cima da cabeça deixado em honra a idolatrias (se assemelha à cauda de um cavalo) pendente do centro da cabeça costume ainda vigente em nossos dias no oriente (Tibet, China, Burma, Índia). Hoje confunde-se o significado desta palavra hebraica com a mecha de cabelo deixado acima da região frontal, a exemplo de soldados de exércitos ocidentais, conhecido em português como "topete" (de origem francesa: "toupet"). (voltar)
BERAITÁ - pl.: beraitôt (ou: "beriatá"; "beriatôt", conforme aparece nos escritos dos gueonim da Babilônia, que escreviam uma letra "alef" após o "iod") - são escritos exteriores à Michná compilados pelos precípuos alunos de Rabi Iehudá ha-Nassi para ajudar na explanação e esclarecimento de trechos complicados da Michná, ou abstrusos, trazendo frases e fontes de outros Sábios, que Rabi Iehudá ha-Nassi não achara necessário trazer na Michná. (Clique aqui para voltar)
BET DIN - é o tribunal dos sábios da Torá, chamados "Daianím" (plural de "Daian" - juiz). Compõe-se de três, de vinte e três ou de setenta e um. O Bet Din dos setenta e um é Sábios que se assentava no local do Templo chamado "Lichcat ha-Gazit" é conhecido como "Sanedrin" (sinédrio, no dicionário português). O líder de um Bet Din - seja qual for o número de seus componentes - é chamado "Av Bet Din". Juntava-se a ele no Sanedrin o "Nassi". Os tribunais rabínicos posteriores ao selar do Talmud são chamados de tribunais de "ieĥidim" por não serem componentes do grande corpo chamado "sanedrin", não disporem de autoridade da "semikhá" e por serem para apenas determinadas regiões, consequentemente. (Clique aqui para voltar)
BET HA-MIDRACH - (o mesmo que "iechivá" em nossos dias). "Bet" = "casa de"; "midrach" = "estudo" - designa os locais de estudo de Torá, sejam grandes escolas ou pequenas salas em cujos recintos o estudo é realizado de forma permanente ou contínuo. (Clique aqui para voltar)
CACHER - significa, literalmente: "lícito, aprovável". O termo, porém, é usado não somente em questões referentes a alimentos, indicando o que é lícito para o judeu de acordo com as regras alimentícias da Torá, senão também em questões mais abrangentes, como por exemplo, uma família cujas origens sejam problemáticas do ponto de vista da halakhá, como era o caso dos "ĥalalim", dos "gerim" dos "assufim", dos "chetuqim", dos "ĥarurim" e dos "mamzerim" trazidos no trat. Qiduchin 68a (entre outros tratados, mas esta página refere-se exatamente ao assunto de permissividade dos cohanim em questões de conúbio, bem como dos demais hebreus), que eram pessoas de origem incerta, ou problemática. Ĥalalim: filhos da união de um cohen com uma mulher que seja-lhe proibida, uma viúva ou uma divorciada. Gerim: convertido ao judaísmo por livre convicção - está proibido de casar-se (uma moça convertida) com um homem de família sacerdotal. Assufim: Todo o que foi achado na rua quando criança e, pela lógica, trata-se de um hebreu. Chetuqim: Todos os que sabem quem é sua mãe, e desconhece a identidade de seu pai. Ĥarurim: escravos libertados, que com sua libertação passa a fazer parte do povo de Israel como todo convertido ao judaísmo. Mamzerim: frutos de toda relação sexualmente ilícita, exceptuando-se o caso de relações entre solteiros, que apesar de proibida, não invalida o fruto. O termo é usado ainda para objetos e coisas, como por exemplo o altar no Templo, caso uma de suas pedras fosse fendida ou deslocada, o mizbéiaĥ (altar) torna-se "passul", isto é, o antônimo de "cacher" neste caso. O mesmo com respeito aos filactérios e às fímbrias dos cantos da veste do judeu, que podem ser "kecherôt" (plural de "kecherá" - feminino de "cacher") ou "pessulôt" (plural feminino de "passul"). A mulher que venha a casar-se com um cohen necessariamente deve estar limpa de qualquer mancha, familiar ou pessoal, que a torne "pessulá" para contrair matrimônio com um filho de Aharon. No caso de ser apta, usa-se o termo "kecherá". (Clique aqui para voltar )
CARÊT - literalmente, cortar. Significa "penalidade de aniquilamento espiritual", ou seja, perecimento da alma. Assim é a forma de pensar herdada dos geonim da Babilônia, que nos traz o Rambam, porém alguns sábios da idade média insistiram que isto é o mesmo que castigo de " 'ariri", ou seja, que a pessoa morra sem deixar semente para a continuação de sua prole. (Clique aqui para voltar)
CHA'ATNEZ - palavra intraduzível para qualquer idioma, mesmo semita. O termo existe somente em hebraico, e significa mescla de lã e linho. Qualquer tecido feito com esta mescla para servir de indumento, é proibido para o judeu. Trata-se de uma das leis chamadas "ĥôq" pela Torá, para as quais não existe uma explicação racional. O cohen, porém, podia vestir "cha'atnez", pois a faixa com que cingia sua túnica era obrigatoriamente feita dessa mescla, mas mesmo o cohen somente podia vestí-lo durante o serviço sagrado no Templo. Outros caso permitido o cha'atnez pela Torá é o das fímbrias dos cantos das roupas ("tsitsit"), que os sábios decretaram que se fizesse todos os fios brancos e do mesmo tecido - isto é - de linho (a mescla no caso permitida pela Torá é unicamente no caso do uso do fio de cor "tekhêlet"), mas não colocasse fios de lã em roupa de linho, evitando o erro dos indoutos, que certamente perguntariam: "Por que podem usar no Talit, e não na costura geral?" A proibição de "cha'atnez" refere-se somente ao cobrir-se, e somente em caso de vestimenta, mas estar sob uma tenda feita "cha'atnez" é permitido, bem como sentar-se sobre tapetes ou demais assentos que sejam feitos desta mistura. É importante ressaltar que somente a mistura de lã e linho é "cha'atnez", e todas as demais miscelâneas de tecidos são permitidas, não como alguns pensam que a proibição da Torá nos vem por motivo econômico, proibindo qualquer fio tecido fraco de ser cosido com outro mais forte, formando uma peça única. A penalidade para o transgressor deste preceito, pela Torá, é de quarenta açoites menos um. Muitos são os decretos rabínicos que proibem mesclas parecidas a esta que é proibida, por exemplo, a de vestir roupa de mistura de lã de animal misturado de ovelha com bode, que não é o caso da lã à qual a Torá alude. Sobre estes casos não se incorre na penalidade determinada pela Torá. ( Voltar)
CHABAT - (plural: "chabatôt") desta palavra se derivara a palavra sábado para as línguas latinas. No calendário romano antigo era esse dia consagrado ao deus pagânico "Saturno", que representava o planeta que leva este nome. por isto, em algumas línguas, como por exemplo o inglês, é chamado de "saturday" - "Saturn day". (Clique aqui para voltar)
CHALIAĤ TSIBUR - literalmente: "enviado do público". O ofício litúgico público judaico é efetuado com o quórum mínimo de dez homens, e o que preside as orações é chamado "enviado do público", como um representante perante Deus. Entre os sefarditas é comum também o termo "ĥazan", que geralmente é versado em música e regras da gramática hebraica. No oriente, o ĥazan aprende o complicado sistema da música árabe (conhecido como "maqam" (literalmente: escadaria), em suas diversas formas). (Clique aqui para voltar)
CHAMTÁ - o mesmo que nidúi. Tipo de excomunhão menos grave que o ĥêrem. (Clique aqui para voltar)
CHANI (TOLÁ'AT) - trata-se de determinada tinta natural extraída de certo vermezinho. A tinta possuía cor vermelha mui intensa, e alguns tradutores da Bíblia traduzem-na por "escarlate", enquanto que outros por "carmesim". Fôra muito utilizado nos utensílios do Templo. (Clique aqui para voltar)
CHATUI - derivado do verbo "chatá" - beber. Designa a pessoa no estado anterior à embriaguez, mas que já não pode ser considerado normal plenamente. Os sábios fizeram a pessoa que tomar um "revi'it" de vinho como "chatúi". (Clique aqui para voltar)
CHA'ÔT ZEMANIÔT - Vários tipos de relógio foram usados na antiguidade por povos diversos. Alguns povos usaram o "relógio de areia", outros, de água. Os hebreus usavam o solário, ou "relógio de sol", pelo que ainda é em nossos dias a vida religiosa do judeu dirigida por horas de solário, e não de relógio comum, que mede o tempo em forma igual o ano todo. O solário é comumente construído sobre uma coluna ou parede colocada entre o nascente e o poente, e sulcos feitos sobre o solário indicarão as horas à medida que o sol faça com que uma haste colocada ao centro deixe recair sua sombra sobre os sulcos, cuja distância entre eles é matematicamente exata. Por este sistema, o dia e a noite terão sempre doze horas, em qualquer época do ano. Dependendo da estção, as horas serão mais curtas ou mais longas, mas sempre terão o mesmo número. Por isto, é comum ouvir de judeus ortodoxos a expressão hebraica "cha'ôt zemaniôt" ("horas temporais"), cuja referência é ao tempo marcado pelo "relôgio de sol", ou solário. (Clique aqui para voltar)
CHAVUOT - Pentecostes é o nome desta festa em língua portuguesa, e deriva do grego, no qual indica um período de cinquenta dias, que é o período exato que vai desde o segundo dia do Péssah até esta festividade. Néo usei aqui o termo helênico, porquê a meu ver não ajudaria em nada ao leitor, ao contrário, poderia complicá-lo, levando-o a conexões errôneas com assuntos alheios ao judaísmo. (Clique aqui para voltar)
CHEĤITÁ - abate de animais para alimento segundo a halakhá,estando a cutelo afiado e em extrema lisura superficial em seus três lados e em ambos os sentidos, devendo ser verificado alternadamente em seis direções antes da executação da degola com a unha e com a carne do dedo. Dois "sinais", conforme são chamados no Talmud, devem ser cortados totalmente, sendo que se o foram em sua maior parte, é o abate considerado correto e, portanto, permissível para alimento. Estes sinais são a traquéia e a faringe, sendo os pontos de princípio e final reconhecidos como "setor especificado para abate" perfeitamente reconhecidos por todo "choĥet" - a pessoa especializada e treinada para o abate. Em nossos dias a maioria dos "choĥatim" (plural de "choĥet") se desfazem da verificação do cutelo na carne do dedo, umprindo unicamente com o que devem fazer com a primeira verificação - na ponta da unha. Tal fato é incorreto, e deve-se chamar a atenção dos grandes rabinos para o fato, fazendo permanecer a Torá em Israel como se deve. (Clique aqui para voltar)
CHEKHEĤÁ - a preocupação da Torá com as camadas sociais, bem como com o despertar do carinho natural dos judeus uns para com seus semelhantes, se revela nesses preceitos agrícolas de "chekheĥá" "lêqet;" "pêret" e "peá". A expressão "chekheĥá" significa literalmente "esquecimento". Refere-se a feixes da colheita esquecidos durante a mesma, os quais são deixados para os pobres. (Clique aqui para voltar)
CHEKHINÁ - deriva do verbo "chakhan" - "habitar", e indica a nuvem da Presença Divina que se via no Templo. Porém, o termo refere-se à Presença de Deus em todo caso, e não somente no Templo. É importante ressaltar que tal nuvem ou luz que aparecia era uma criação do próprio Deus, devido ao fato de tão recém haver saído o povo de Israel do Egito, precisando algo que pudesse testemunhar para eles a existência do Criador, pois a cultura egípcia transformara a força cósmica e o cosmos em si em deidade absoluta, assim como pensam em nossos dias algumas ordens místicas, incluindo no meio judaico. A diferenciação do "cosmos" e da "energia cósmica" de Deus é importante, e foi o que gerou a dissensão entre o Gaon de Vilna e os adeptos do movimento ĥassídico. Muitos chegaram ao panteísmo absoluto em máximas como "a divindade em tudo se reveste!", que é muito comum ainda em nossos dias em certos movimentos místicos judaicos. Os sábios verdadeiros, porém, afastam-se deste tipo de idolatria, entendendo que Deus, que é Infinito, não se reveste nem há como estar "ligado" (e, nem nos cabe usar esses termos em relação a Ele) a qualquer finito. em Deus em (Clique aqui para voltar)
CHELAMIM - dos sacrifícios particulares. Somente na festa de 'atzêret é apresentado "chalmê tzibur" - ou seja, "chelamim do público" Jamais pode ser apresentado pelo público, exceto em chavu'ôt, quando são trazidos dois cordeiros que acompanham o pão da "tenufá". Pode vir de animais bovinos, ovinos e caprinos, tanto de machos como de fêmeas destas espécies, mas não das aves, e a degola só pode ser feita após abrir-se as portas do Santuário. Este sacrifício, quando apresentado pelo público na festa de 'atzêret, recebe o nome de "ĥagigá" e faz parte dos "qodachê qodachim" (Santidade de santidades). Quando porém, é particular, pertence à dos "qodachim qalim" (santidades leves). Nota: a palavra "qôdech;", apesar de ser normalmente traduzida como "santidade" em português, não possui exatamente esta mesma conotação. Três são os "chelamim" particulares: "chalmê ĥagigá" ou "chalmê simeĥá", que é o chamado "chelamim" em especial, e vem sem acompanhamento de pão, fazendo parte dos "qodchê qodachim "; "todá" - o sacrifício "chelamim" que vem com o pão e por voto ou dádiva; e o "el nazir" - o "cordeiro do nazireu" - também este vem acompanhado de pão e é trazido pelo "nazir" ao completar o tempo de seu voto de nazireado.
CHEM'Á ISRAEL - três trechos separados na Torá devem ser recitados em conjunto por ordem expressa de Deus no Sinai. o primeiro trecho encontra-se em Dt 6:4-9; o segundo, em Dt 11:13-21; o terceiro, em Nm 15:37-41.
CHEMINI 'ATZÊRET - "chemini" significa "oitavo". "'atzêret", deriva de "cessar" ou "interromper". Assim é chamado o dia posterior aos sete dias da festividade de sucôt, que é ele mesmo uma festa particular.
CHEMU'Á - refere-se às leis ou aos pormenores recebidos no Sinai, ouvidos diretamente de Moisés, que não foram escritos na Torá. (Não confundir com "dinim muflaim", que são leis que não foram recebidas no Sinai, senão renovadas pelo Sanedrin de cada geração que viu necessidade em sua instituição).
CHOFAR - instrumento de sopro de chifre de carneiro, e todo chofar feito de chifres de outros animais, são inválidos para uso sagrado. O toque do chofar no Templo era acompanhado de duas trombetas, uma à direita e outra à esquerda, enquanto que as trobetas encurtavam seu sonido, o chofar prolongava. Fora do Templo, porém, não se pode efetuar desta forma o toque do chofar. O chofar é tocado em ocasiões solenes determinados pela Torá, como por exemplo, no primeiro dia do ano hebraico e no quinquagésimo (jubileu - V. abaixo: "IOVEL" ) no décimo dia do ano, para a libertação dos escravos e devolução proprietária de terras, que não pode entre as tribos de Israel ser vendida perpetuamente.
CHÊRETZ - Nome genérico hebraico para todos os animais pequenos que vivem sobre a terra (há também os aquáticos e os alados, mas quando se diz simplesmente "chêretz", refere-se geralmente aos de sobre a terra). Não traduzi o termo aqui, porquanto os tradutores cristãos da Bíblica já traduziram erroneamente ao português com o termo "réptil", e não é exato, pois em hebraico o termo refere-se também aos ratos, as lagartas (de folhas), os caranguejos, os sapos, e também os répteis e demais animais pequenos. Daí, temos também o termo "chêretz ha-máim" ("chêretz"-aquático, que são todos os seres vivos pequenos que vivem nas águas) e "chêretz ha-'of" ("chêretz"-alado, que incluem os morcegos e as moscas, por exemplo). Dentre todos os animaizinhos pequenos da terra, oito separa a Torá para serem impurificadores, que no momento que a pessoa tocá-los, se impurifica (Lv 11:29): 1) ĥôled (toupeira - Spalax ehrenbergi); 2) 'akhbar (rato - rattus) ; 3) Tsav (tartaruga - Chelonia); 4) anaqá (tipo de lagarto existente na Terra de Israel, que chega a 80 cm de comprimento - Varanus); 5) côaĥ (outro réptil, da mesma espécie da anaqá); 6) letaá (lagartixa comum - Lacerta); 7) ĥômet (tipo de lagarto pequeno, de pescoço curto e pernas muito curtas, de escamas muito fortes, lisas e brilhantes, muito ligadas ao corpo. Há pelo menos oito tipos de "ĥômet". - Scindae ); 8) tinchémet (pequena ave de rapina noturna, de cabeça grande e arredondada, olhos negros e muito próximos um do outro, envoltos por "cílios" de penas, bico muito curto e torto desde sua base. Sua cabeça e costas são amarelas. Tyto alba).
CHEVITÁ - deriva do termo "chabát", ou do verbo "chavát", e possui sentido análogo. Para melhor compreensão, veja-se a nota 01 no primeiro capítulo de Leis de Iom Tov.
CHEVUT - proibições rabínicas talmúdicas relativas ao chabát, que evitam que o judeu chegue à transgressão que o levaria à morte por seqilá. (v. termo). Subir em uma árvore no chabát é um exemplo desta proibição. Veja Michnê Torá - Leis de Chabát, cp. 21 para maiores esclarecimentos.
COFER - (pl.: cofrim) comumente traduzido como "herege" ou "apóstata". O verbo "cafar" em hebraico significa "negar", e esta mesma palavra (cofer) em árabe é "cafir". Em sentido religioso, define-se assim a pessoa que descrê da Torá, ou de parte dela, afirmando ser "fruto da imaginação humana", ou como pelo estilo. Nisto, difere do aceito no islam, pois o termo refere-se a pessoas que se desfazem da Torá e dos profetas, mas não se estende a quem quer que seja de outra fé ou credo que não o judaísmo, enquanto que no Islam o termo abrange todos os não islâmicos, como cita o "qur'an" em várias suratas os "cafirin", ou "cafirun", mas a raiz do termo semítico é a mesma. Em sentido mais amplo e jurídico, aplica-se à pessoa que ao comparecer ao tribunal de Torá, nega








o que lhe é imputado, em casos de dívida, por exemplo. Neste caso, não se entende como pejorativo. Pessoas que descrêem dos princípios da fé judaica, em geral, são chamados "cofrim" entre os judeus pela halakhá. outros pontos da fé, por exemplo, é a crença na ressurreição dos mortos e a vinda do Messias. COHEN - (plural: "cohanim") literalmente, sacerdote. Trata-se da casta aharônica, descendentes de Aharon, o irmão de Moisés, que foi o primeiro sacerdote entre os filhos de Israel. Os cohanim (plural de cohen) foram separados do restante da tribo de Levi, e são ordenados com muitos preceitos diferentes dos demais levitas e demais israelitas. O sumo-sacerdote, o principal dentre os cohanim no Templo é chamado em hebraico "cohen-gadol" - o "grande sacerdote".
DIN HAZAMÁ - refere-se ao que deve-se fazer à tesmunha desmentida, o qual incorre pela Torá na penalidade pela qual deveria ser castigado com ela o réu que por seu testemunho foi julgado. Em alguns casos impossibilita-se de ser efetuada esta lei com exatidão, e pela Torá Oral sabemos como proceder neles. São bem esclarecidos casos assim no Talmud, nos tratados Sanedrin e no princípio do tratado Macôt.
DINIM MUFLAIM - - Refere-se o termo às leis sobre as quais Mochê Rabenu nada falou, não havendo sido recebidas no Sinai, e a Torá dera autoridade ao Sanedrin (e unicamente ao Sanedrin, não aos rabinos em geral, conforme muitos querem pensar) para decidí-las. Por exemplo, a discussão de Bet Hilel e Bet Chamái acerca de quantos fios deve-se colocar nas fímbrias usadas nos cantos da roupa, conforme trazido no Sifrá. A decisão do Sanedrin é como se houvéssemos recebido no Sinai, por que assim a Torá nos ordenou. A palavra "Muflá" significa: "algo que está além", "algo que ainda não foi visto", "situação nova, com a qual se depara pela primeira vez". "Din", significa lei, ou pormenor dela.
DIVRE SOFRIM (ou Divrê Ĥakhamim)- expressão que determina todos os decretos e preceitos rabínicos. Há que faça distinção entre os promulgados pelos Neviím (profetas) e os promulgados pelos Ĥakhamim (Sábios). O Rambam, porém, não lembra esta distinção, pois o que os faz é a força do Sanedrin, que existiu desde Moisés até o selar do Talmud, sendo-lhes outorgado por Deus tal autoridade em qualquer época que estejam, independente de serem profetas ou não.
EFÔD - um dos oito componentes da indumentária sacerdotal peculiar unicamente ao sumo-sacerdote, usada sobre o ĥôchen, sobre o qual há doze pedras preciosas, cada pedra com o nome de cada uma das tribos de Israel.
EITAN - literalmente: "forte". Designa-se assim também qualquer riacho mais próximo a uma cidade em cujas redondezas foi encontrado algum cadáver hebreu assassinado, na Terra de Israel. Cinco Juízes do Sanedrin devem vir até o local onde foi encontrado o corpo do assassinado, e medir as distâncias a partir dali, até descobrir qual a cidade mais próxima, após o que todos os sábios da cidade são convocados, e juntando-se a eles, conduzem até as orilhas do riacho uma novilha, cujo pescoço é decepado ali por lâmina, cortando-se a nuca do animal, após o que lavam todos eles suas mãos nas águas do riacho, proferindo em hebraico: "-Iadênu lô chafkhu et ha-dam ha-zê!" ("-Nossas mãos não derramaram este sangue!").
EPÍCURUS - segundo o nome do famoso filósofo helênico. No plural, "epicurussim". O nome foi aplicado pela semelhança que há entre a pessoa que adere ao descrer da consciência de Deus, que abrange toda a criação, conforme afirmavam certas ramificações da filosofia grega. Também se aplica este nome a todo o que descrê da profecia, e que esta possa ser um fato real, bem como a do Moisés, nosso Mestre. Deve-se ter cuidado de não confundir o termo com "min" , com "mechumad" e com "cofer".
ÊVEN MASKIT - Pedra que depositavam os idólatras da antiguidade para sobre ela depositar a cabeça em suas orações, ou para efetuar sobre ela o ato chamado em hebraico de "hichtaĥavaiá" - ou seja - colocar-se por terra com braços e pernas estendidos, e todo o corpo debruçado, com o rosto por terra.
GAON - (plural: gueonim) - Assim eram intitulados os rabinos pós-talmúdicos da Babilônia, cujos tribunais permaneceram seguindo o mesmo sistema de seus antecessores, os Amoraím e os Tanaím (v. termos). Isto é, buscavam manter a guardia memorizada dos ditames de seus antecessores pelo mesmo método comum no Talmud. O termo "gaon" é mal compreendido em nossos dias, pois tomara o sentido de "gênio", "pessoa super-inteligente", quando na verdade deriva do versículo: "Pois Deus faz voltar o orgulho de Jacob..." - (Nahum 2:3) - orgulho, em hebraico - gaon, é a sabedoria de Israel, e esta é a Torá; sendo seus Sábios seus representantes - dera-se este termo como designação para os maiorais dos grandes tribunais rabínicos da Babilônia, sendo os ditos tribunais chamados Iechivá (termo que também perdera seu sentido original, e em nossos dias se utiliza em analogia a Bet Midrach - casa de estudo de Torá). - v. também o termo "savorá".
GEMARÁ - O Talmud está dividido em duas partes: Michná e gemará. A michná traz as palavras dos Sábios judeus até os dias de Rabi Judá ha-Nassi, que ao ver o princípio da diáspora e o sofrimento dos judeus, temera que a legislação da Torá e suas regras, oralmente recebidas no Sinai e transmitida de geração em geração por cada bet-din, fosse perdida pelas gerações vindouras, dispersas e perseguidas pelo mundo. A gemará fora compilada algumas gerações mais tarde, para facilitar sua compreensão, pois havia sido compilada numa linguagem demasiado concisa, que era suficiente para sua época, repleta de estudiosos. Com sua diminuição através de duas ou três gerações, por motivo das perseguições da época promovidas pelo império romano e, pouco mais tarde, pelo que tivera nele sua origem, fizera-se necessário um compêndio que facilitasse sua compreensão aos estudantes mais recentes. Duas "gemarôt" (plural de gemará) foram compiladas: a babilônica e a jerosolimitana. A primeira, fora compilada por Rab Achê, dos últimos amoraím , e selada por ele e por Rabiná, seu colega; a segunda, por Rabi Ioĥanan, na Terra de Israel. Com filho de Rab Achê, Mor bar Rab Aché, começa o período dos "Saboraím". - ( V. termo). - Plural: gemarôt.
GEMAR MELAKHÁ - É um termo de difícil explicação em português, tratando-se de uma forma de expressão hebraica típica, e refere-se ao que foi previamente determinado para determinado final de execução de uma tarefa agrícola, como por exemplo: se alguém planta uvas para comê-las ou vendê-las em seu estado natural, sem nenhuma finalidade outra, a partir do momento em que estiverem maduras chegaram a seu "gemar melakhá". Outrossim, se seu intuito era o de obter por meio delas vinho, seu "gemar melakhá" é o momento em que se tornarem vinho. O mesmo com a azeitona para azeite, ou para conserva, e assim por diante. GEMAR - conclusão, término; MELAKHÁ - trabalho, obra.
GER e GER-TOCHAV - o termo "ger" significa literalmente "peregrino", e assim foi traduzido nas diversas traduções das Escrituras. Contudo, é ele aplicado ao convertido ao judaísmo, pois veio de outra nação para nosso meio. "Ger-Tochav", porém, possui outra conotação: é o gentio que, após haver aceito cumprir com os preceitos de Deus dados a Noé quando este saíra da arca com o término do dilúvio, vindo morar na Terra de Israel, entre nós. O primeiro, o povo judeu está sempre disposto a aceitá-lo; o segundo, todavia, somente quando todas as tribos habitam na Terra de Israel.
GEZERÁ - decretos geralmente proibitivos, que servem de "cercado de vigília" em torno da Torá, evitando o engano que poderia trazer a pessoa a transgredir quaisquer pormenores que o levariam porventura a incorrer em penalidade, baseado no escrito na Torá: "Guardem minha vigília..." - (Lv. 18:30) - explicaram os Sábios do Talmud que isto quer dizer: "Façam guardia em torno de minha vigília (a Torá)!" - mandamento este fora entregue ao Sanedrin, conforme Dt. 17: 8-14. - Plural: gezerôt. (v. taqaná)
GEZERÁ CHAVÁ - das treze regras dadas ao Sanedrin para interpretar a Torá nos casos de "dinim muflaim". (v. termo), é a que busca aplicar sentidos similares a distintas leis através de mesmas expressões encontradas nas mesmas em comum. Como toda regra só pode ser bem entendida através de exemplos, tomemos o caso do estudo da comprovação da obrigatoriedade de realizar o casamento pela compra, que é o que significa "tomar" para si uma mulher, cujo termo "tomar" é o mesmo utilizado por Abraham quando comprou o campo de 'Efron.
GEZERAT HA-CATUV - algo como "decretado pelo escrito", se traduzido fosse. Porém tal tradução não seria clara, pelo que preferimos trazer aqui uma explanação detalhada. As coisas acerca das quais o escrito determinara, sejam preceitos ou não, nos quais não há um motivo explícito ou compreensão, são chamados assim, como por exemplo o estado de impureza (que nem sequer há tradução exata para o termo assim traduzido pelos tradutores das Escrituras, pois nada tem a ver o termo hebraico "tumá" com "impureza" em língua latina ou ocidental). O escrito decidira que tal estado existe, e somente por causa do escrito, admitimos sua existência, sem questionar, apesar de não haver ser humano que possa explicar realmente de que se trata. Os místicos tentam explicar por seus métodos duvidosos, mas o importante é que sejamos cônscios que os Sábios disseram simplesmente ser "gezerat ha-catuv". O mesmo se dá com alguns preceitos, conforme citado, e o melhor exemplo é o toque do chofar em roch ha-chaná, o primeiro dia do ano hebraico. Seria como dizer: "Apesar de estranho, não questionamos, por ser determinação da Torá!" A partir da compreensão do que significa a expressão, cai por terra toda outra explicação - esotérica ou não, de acordo com o caso - sobre os mesmos, pois trata-se simplesmente de determinação da Torá, nada mais.
HAGARI - (pl.: "hagariím") - alcunha hebraica para os descendentes de Hagar, segunda esposa de Abraham, nosso pai.
HALAKHÁ - (plural: halakhôt) assim se denomina cada uma das particulariedades de cada um dos seiscentos e treze preceitos, ou seja, cada preceito da Torá divide-se e subdivide-se em pequenos pormenores que levam esta denominação.
A expressão "halakhá" é derivada do verbo hebreu "halakh" - que significa "caminhar" (o verbo aqui figura em tempo passado na terceira pessoa, como se faz pela gramática hebraica, e não no infinitivo, como se faz nas línguas ocidentais em geral). Quer dizer: a forma pela qual deve-se caminhar no que concerne ao cumprimento da Torá. É importante lembrar que quando dizemos halakhá leMochê mi-Sinai (halakhá desde Mochê no Sinai), referimo-nos às halakhôt que foram ditas a Moisés oralmente, sobre as quais não há discussão, e não acham-se escritas em lugar algum na Torá, nem têm alusão alguma nos escritos.
Há no campo da halakhá casos especiais, nos quais se diz, por exemplo, "halakhá, veen morim ken" ("é [o caso citado] halakhá, mas não se ensina [às pessoas que o façam] conforme ela"), ou seja, casos que o feitio delas pode acarretar problemas de cunho diverso entre as pessoas que sabem pouca Torá, como no caso de continuar com os tefilin sobre si após o crepúsculo, que é permitido desde que haja posto antes do pôr-do-sol, e pessoas simplórias ao ver rabinos ou estudantes de Torá agindo assim, virão muito provavelmente a colocá-los à noite, ou após o crepúsculo, incorrendo em transgressão contra a Torá.
Outro caso especial é o que se denomina "matin", que significa literalmente "entornar". Dizemos então, por exemplo: "Halakhá kerabi peloni, akh matin kerabi almoni", ou seja: "A halakhá é de acordo com as palavras de rabi fulano, e entorna-se como rabi ciclano".
Este segundo caso, apesar de ser distinto plenamente do anterior, é efetuado por motivo similar, e vem ou facilitar, ou dificultar, para evitar do público geral o tropeço pela falta de conhecimento suficiente da Lei no meio da massa.
Como exemplo deste caso, poderia ser citado o caso de cozinhamento no chabat sem intenção, discussão em beraitá repetida em cinco lugares diferentes no Talmud por Rabi Ioĥanan, Rabi Iehudá e Rabi Meir, apesar de muitos rabinos pós talmúdicos dizerem que o caso não pode ser tido como "matin", pois todo caso de entornamento da halakhá tem por meta facilitar para a maioria, que é o povo simples, e dificultar para os sábios e seus discípulos, que são poucos e mais capacitados a suportar o difícil. Este último caso somente pode ser dito em casos de que seja a halakhá decisão unânime do Sanedrin, e não em pormenores diretos do Sinai, nos quais não pode haver discussão. (voltar)
HAFLAÁ - Não há palavra alguma em nenhum idioma ocidental que possa traduzir exatamente este termo, apesar de que expressões derivadas são traduzidas pelo termo "maravilha" nas línguas latinas, ou "wonder" e "wunder" nas saxônicas ou germânicas, sem ser este, porém, seu sentido original verdadeiro; contudo, ele provém da mesma raiz explicada na nota número 28 (DINIM MUFLAIM), no parágrafo 25 do prefácio. Indica algo além da concepção humana, algo que causa espasmo, ou algo com o qual ainda não se deparara por estar além do alcance natural. O caso de uma pessoa proibir-se algo que pela Torá ser-lhe-ia naturalmente permissivo, deve causar em todos nós sentimento de espanto, pois assim se refere ao caso o próprio Criador e dador da Torá, no versículo que reza: "...ich o ichá ki iafli lindor..." - "...homem ou mulher que admiravelmente fizer um voto..." - (Nm 6:2). "Muflá", conforme já explicado, é algo além da concepção ou alcance racional humano, e no caso da autoridade do Sanedrin, a Torá utilizara também esta palavra, talvez para dar ênfase à autoridade que Deus lhe outorgara a este corpo judicial. O fato de que em nossos dias seja tão comum o fato de que acharem muitos que para adentrar os portais da santidade é imprescindível que se faça além do que o que nos fora ordenado na Torá, é estranho à forma de pensar hebraica original, segundo a qual devemos cumprir exatamente o que nos fora ordenado, sem aumentar ou diminuir. Os casos nos quais acharam os Sábios do Sanedrin mister, decretaram e proibiram, segundo a autoridade que Deus mesmo lhes dera. Quanto a nós, cabe-nos aceitar o que disseram, e não desviarmos nem para a direita, nem para a esquerda, nem aumentar, nem diminuir, nem fazer para nós mesmos decretos proibitivos segundo nos pareça.
HAQHEL - na saída de cada ano de "chemitá", ou seja, o sétimo ano designado para o descanso da Terra, o povo deve ser juntado para a audiência da Torá, e este preceito éconhecido com este nome, que deriva da palavra qahal = congregação. (Preceito positivo número 16)
HATRAÁ - literalmente, "advertência". Não traduzi este termo, optando por transliterar simplesmente, por ser usado, em termos de halakhá, de modo muito singular. A hatraá é imprescindível para que alguém possa ser condenado por qualquer transgressão no judaísmo. Ela inclui um esclarecimento pleno para o indivíduo ao qual fora transmitida, seja do peso de sua transgressão, como da pena na qual incorrerá, caso a realize. Deve ser-lhe transmitida por duas pessoas (testemunhas). Caso a pessoa transgrida leis sem esta prévia advertência, dificilmente poderá ser condenado à morte caso seja passível desta penalidade. Logicamente, não equivale para todas as leis, senão por exemplo profanação de chabat e iom tov (mas não unicamente estas.)
HAVDALÁ - (ou, conforme pronunciado tradicionalmente pelos sefarditas, habdalâ) - trata-se do ritual de separação entre o chabat (sábado judaico) e os demais dias da semana, no qual se bendiz sobre vinho (ou outra bebida comum ao país), sobre especiarias, sobre a luz produzida pelo fogo e sobre a separação entre o santo e o profano. Este ritual é também feito ao término de cada dia festivo
HÊSPED - trata-se do discurso sobre o falecido, lembrando seus bons atos durante sua vida neste mundo. O hêsped é, geralmente, acompanhado de choro e lamentos por parte dos enlutados e de demais pessoas que tenham motivos para tanto, o que o faz proibido no Chabát e no dia festivo (iom tob). Na época transata - quando ainda viviam todos os hebreus na Terra que foi dada a nossos pais, até o período talmúdico, o enterro e o "hêsped" eram acompanhados por lúgubres toques de flautas.
ĤALA - parte da massa para o pão que deve ser separada por determinação da Torá e entregue a um cohen. Na atualidade, que nosso Templo encontra-se desolado, e todos nos achamos impuros por falta da cinza da vaca vermelha, os cohanim não podem dela usufruir, por ser proibido comê-la em estado de impureza; ou estando ela impura. Os Sábios do Talmud decretaram que o mínimo que cada israelita deve dar é 1/24 para o cidadão comum que assa seu pão em sua casa para seus familiares e sem fins lucrativos, e 1/48 para os que o fazem para venda.
ĤALALA - assim é cogominada a mulher que nasceu da união entre um sacerdote e uma das mulheres proibidas ao sacerdócio, bem como a própria mulher proibida para o sacerdócio com a qual se relacionou, torna-se ĥalalá. "Ĥalalá" literalmente significa "profanada" - de "ĥilul" - profanação.
ĤALITÁ - último processo a ser realizado para que se possa alimentar de carne (desnecessário somente quando é assada), que faz-se após lavar - salgar - lavar da carne, tirando dela todo o sangue. A ĥalita fecha os vasos sanguíneos, tornando a carne permissiva para cozinhamento. É feita dos seguintes modos: após o processo de lavagem, salgamento e relavagem da carne, entorna-se a mesma sobre um caldeirão de água fervente, ou deixa-se por um espaço de tempo em um recipiente de vinagre, até fecharem-se todos os canais pelos quais havia possibilidade de saída de sangue durante o cozinhamento. O ingerir sangue - cozido ou não - é proibição grave na fé judaica, mas como as fontes talmúdicas que achavam-se intactas perante o Rambam não foram vistas por muitos rabinos europeus posteriores a ele, esses alguns deles perguntaram acerca das fontes do Rambam para tal promulgação, e concluíram que "a vermelhidão que escorre da carne após o lavar-salgar-lavar é caldo, e não sangue" (Rabi Nissim, em nome do Ramban). Eu me pergunto, com todo o respeito aos distintos sábios: "caldo" - que seja - mas, de quê?
ĤALITZÁ - Quando o homem se vê impossibilitado de cumprir com o mandamento de "ibum", seja qual for a razão é executada diante de um pequeno tribunal de sábios da Torá o "descalçar do sapato", na qual se desfaz o homem de tomar para si a esposa de seu irmão falecido, deixando-a livre para ser desposada por quem quer que seja. (V. abaixo: ibum )
ĤAMETZ - Qualquer fermentação oriunda dos cinco tipos de cereais (trigo, cevada, centeio, aveia, espelta). São proibidos, em caso de fermentados, estes cinco tipos de cereais. Todos os demais tipos de sementes pequenas, que proíbem para si mesmos nossos irmãos achkenazitas durante os dias da festa, como arroz e outras, dependendo da comunidade mais elementos ficam proibidos, não fazem parte desta proibição, e nada tem a ver com ela, sendo totalmente permitido seu uso alimentício durante a festividade, aumentando nossa alegria nos mandamentos de nosso Deus.
ĤAZAQÁ - termo que indica probalidade sem lugar para questionamento com respeito a tudo o que pudesse gerar os tais, seja em concernência a pessoas, objetos ou a estado dos mesmos. Geralmente, a ĥazaqá é levada em conta após uma constatação tríplice de determinado caso. Em determinados casos, como em assuntos relativos a negócios, o termo pode ter significação diversa, indicando propriedade.
ĤAZAN - assim é chamado o que oficia em público a oração, para a qual é imprescindível a presença do mínimo de dez pessoas.
ĤATAT - sacrifício que, assim como "acham", vem sobre transgressão. O sacrifício "ĥatat" é apresentado por transgressões nas quais há pena de aniquilamento espiritual que hajam sido realizadas inconscientemente, seja qual for o motivo da inconsciência. Ele é apresentado de todos os três tipos de animais designados para sacrifícios (bovinos, ovinos e caprinos), bem como de ambos os tipos de aves (pombas e rolas), tanto de machos como de fêmeas. pertence à classe dos "qodachê qodachim" ("santidades de santidades"). Por serem oferecido pela transgressão, nem o ĥatat nem o acham podem ser trazidos por promessa ou por dádiva. Todo lugar onde estiver escrito ¨ĥatát qevu'á¨, significa que o sacrifício somente poderá vir dos três tipos de animais.
ĤEREM - Trata-se do caso de proibição decretada pelo Tribunal de Torá sobre determinados objetos dos quais não se possa fazer uso, por exemplo, como no caso da guerra de Josué no qual proibira-se ao povo de levar do despojo para suas casas, sendo "ĥêrem", e estende-se também a pessoas, com os quais fica proibido todo e qualquer contato, comercial ou não, até que arrependa-se de sua transgressão e torne ao caminho reto - caso haja sido declarado contra ele estado de "ĥêrem". O caso relativo a pessoas mais leve que este é chamado nidúi. Desta lei copiara posteriormente o cristianismo romano o que chamam de excomunhão, pelo que comumente os tradutores para as línguas latinas traduzem-no ou explicam-no como "a excomunhão judaica". Outro significado deste termo é dedicação por voto de algo de sua propriedade (como para o Templo, por exemplo), que o faz tornar-se proibido para as demais pessoas. Outro caso é o da cidade destruída por motivo de desvio do caminho da Torá, buscando formas de idolatria. Tudo o que nela houver é chamado por essa determinação.
ĤÔCHEN - integrante dos indumentos do sumo-sacerdote, quadrado, feito de fios de ouro, azul-safira, púrpura e escarlate, traduzido comumente nas diversas traduções bíblicas como "peitoral". Cobria as espaldas e o tórax do sumo-sacerdote e sobre ele era colocado o "efôd". (ver: EFÔD)
ĤOL HA-MO'ED - assim cogomina-se entre nós os dias intermediários dos festivais (pêssaĥ e sucôt). O primeiro e o último são iamim tovim (plural de "iom tov").
ĤÔVER - encantador. A pessoa que crê que certas palavras ininteligíveis, inexistentes em qualquer idioma, tratando-se apenas de junções de letras ou sílabas (como por exemplo: "abracadabra", ou similares), ou certas ações místicas possuem força no campo astral e influenciam no físico, seja para boa sorte ou para livrar-se de inimigos, serpentes, influências energéticas negativas, ou coisas parecidas, e faz tais atos, e profere tais palavras em sua crença torpe. Todo tipo de ações dessa ordem é chamada "ĥêver", e a pessoa que o faz, "ĥôver". São proibidas por serem raízes da idolatria, sendo proibido achar que há força além da do Criador, ao qual servimos. Muitas destas cousas são atualmente praticadas por judeus que acham haver "uma forma santa de proceder nestas coisas".
IÉN NÊSSEKH - trata-se do vinho despejado no altar idólatra, por excelência. Outrossim, os Sábios decretaram que todo vinho produzido pelos gentios seja-nos proibido, distanciando-nos desta transgressão. Mesmo um vinho feito por judeus, mas servido por um não judeu, torna-se igualmente proibido, a partir do toque e despejo, sendo a mesma lei equivalente para um judeu que não guarde o sétimo dia semanal judaico, o chabat. Em caso de vinho judaico tocado por um gentio, exceptua-se o caso de haver sido o vinho previamente cozido, que o faz inapto para ser despejado sobre o altar com libação, que o torna impróprio também para "qiduch", ou seja, celebração da santificação do sábado pelo vinho, de acordo com o Talmud. Em nossos dias, porém é comum ver-se pessoas que o fazem com vinho cozido, o que é, segundo o Talmud, um erro que precisa ser reparado.
IBUM - Comumente traduzido nas diversas versões da Bília "LEVIRATO". Segundo a Torá, se um homem se casa e morre sem trazer filhos ao mundo, seu irmão deve tomar para si sua esposa após seu falecimento, trazendo dela filhos em nome de seu irão, e tal se chama em hebraico "iebamá". Em nossos dias, por via das dificuldades que nos são impostas pela cultura ocidental e sua hipócrita legislação anti-poligâmica para que ela perdure existindo sob a forma de concubinas ilegais, ocultas para a esposa e para a preservação do "bom nome", só temos como cumprir com o preceito de ĥalitzá.
IDE'ONI - "Qual é [o feitio característico do] ide'oni? - toma um osso de certa ave, colocando-o em sua boca. Acende incenso, fazendo [em seguida] outros feitios, até cair como que possesso, predizendo o futuro..." - Michnê Torá Leis concernentes à idolatria, cp 6, halakhá 3. Desenvolveram-se esses feitios desde a antiguidade e tomaram novas e diversas formas pelos quatro ventos do mundo. Apesar de que somente o caso citado é o que chama a Torá de feitio de ide'oni, todos os derivados são claramente proibidos, tendo todos conexão direta com formas de idolatria.
IEBAMÁ - Assim é chamada a mulher à qual corresponde a obrigação de "ibum", ou seja, o levirato. (V. acima: ibum.)
IOCHVÊ QERANÔT - iochev = assenta-se; qéren = canto, esquina. Alcunha talmúdica para pessoas vadias, que perdem seus dias e horas em jogatinas ou simplesmente em sentar-se sem ocupar-se de nada que dê proveito.
IOM TOV - (iom = dia; tob = bom; plural: iamim tovim) São os dias festivos judaicos, nos quais as proibições são similares àquelas do chabát, com exceções, segundo citadas neste livro. Suas penalidades, porém, são diversas das que se aplicam em casos de profanação do chabát, como constatará o leitor. Na terra de Israel, com exceção do primeiro dia do ano, que são dois dias em comemoração por toda parte, todos os demais dias festivos são comemorados por um dia apenas (um no princípio e um no final da festa), em contraste com a diáspora, onde comemora-se dois dias ao princípio e ao final da festa.
IOVEL - pronuncia-se yobel tradicionalmente entre os sefarditas (repare que o "i" é consonontal, devendo-se pronunciar à moda árabe, ou como a letra russa "yá"). Comumente traduzido "jubileu". Os anos hebraicos na Terra de Israel são dividos por determinação da Torá em porões de sete - sete, sendo cada sétimo destinado ao descanso da terra do trabalho agrícola e à anulação de dívidas de empréstimo pecuniário. após a sétima vez dessa contagem (quarenta e nove anos) um ano a mais é destinado ao descanso da terra, e nele são libertos os escravos e devolvidas as terras compradas durante os cinquenta anos a seus proprietários-herdeiros originais. Por esta mesma razão, o "yobel" somente pode ser realizado em todos seus pormenores quando todas as tribos encontram-se juntas na Terra de Israel, o que não ocorre ainda em nossos dias, que somos compostos especialmente de Judá, Benjamin e Levi, e entre estes, descendentes de Aharon. Contamos ainda com pouquíssimos dos filhos de Simeão cuja tribo em sua maior parte foi absorvida por Judá, após o cisma que se dera com a morte do rei Salomão. Os grupos afegães chamados "Pathan" são reconhecidos por muitos pesquisadores históricos e etnologistas (judeus e não-judeus) como sendo as dez tribos perdidas de Israel, o que é perfeitamente admissível, pois seus nomes remontam ainda aos mesmos do período bíblico, com leve influência da pronúncia dos idiomas indo-pérsicos ( Chama'uni - Chime'oni; Rabni - Reubeni; Menassi - Menachi; Djadi - Gadi, etc). Deve-se rezar para nossa grande família reúna-se novamente em nossa Terra, e fazer de tudo para contribuir com nossos próprios meios para que tal ocorra, como está escrito: "Amarás a teu próximo..." (Dt 6)
KERAKH - Três termos são usados para indicar "cidade": O termo "mediná" no hebraico atual é comumente usado com o sentido de Estado ou País. No passado, porém, significava simplesmente "cidade", assim como em árabe a palavra "medina". A cidade que nos dias de Josué possuía muralhas, mesmo que agora as tenha, é chamada kerakh, e a que é murada hoje, e nos dias de Josué não era, é chamada 'ir. Entretanto, o termo "kerakh" é utilizado também para indicar localidade com população numerosa, como se vê nas Leis de Idolatria. Tanto a cidade chamada "'ir" quanto a chamada "kerakh" são chamadas "mediná". Se são os habitantes em número menor que cem pessoas, é o chamado "kefar" (equivalente a "kafr" em árabe), que significa "aldeia", ou "vilarejo". Porém devemos lembrar que como em toda constituição jurídica, também a Torá usa termos com diferentes significados para situações diversas, e assim temos o termo "kerakh" nas Leis da Leitura da Megilá (1:4) com o sentido acima mencionado, diferenciando as cidades antigamente muradas das não muradas, e nas Leis de Idolatria (cp 4 - "kerakh gadol", indicando a maior parte de uma tribo) com o sentido de aglomerado de povoados em conjunto, e nas Leis de Bênçãos (final do cp 10) indicando toda cidade grande, onde o perigo é permanente, pois conforme a grandeza da cidade, assim também o perigo nela (assaltos, roubos, etc) é sempre iminente.
KILÁIM - plantio de duas espécies parecidas juntamente ou enxerto delas uma na outra, ou acasalamento de animais de distinta espécie.
KILÊ HA-KÊREM - plantio de uvas e cerais, ou uvas e verduras juntamente. A proibição refere-se, pela Torá, à Terra de Israel, porém os Sábios proibiram-na também para os que vivem fora dela.
KIPUR - Expiação. Ao décimo dia do mês de Tichrê (que é o primeiro do ano judaico, coincidente geralmente com o mês de setembro dos gregorianos) os hebreus jejuam o jejum prescrito na Torá e sacrifícios especiais similares aos de Roch ha-Chaná são apresentados no Templo, com acréscimo do "bode expiatório". Este dia é chamado de "Iom Kipur" - "O dia da expiação", ou "iom ha-kipurim" - "dia das expiações".
LÊQET - No momento da ceifa do trigo, toda espiga que cai dentre as outras deve ser deixada para usufruto dos pobres. Mesmo que a pessoa haja transgredido este preceito, deve dar o assado delas aos pobres.
LICHCAT HA-GAZIT - setor designado no Templo de Jerusalém, no qual se assentava o Bet-Din ha-Gadôl (O Grande Tribunal), responsável pela legislação de Torá para todo o povo judeu, na Terra de Israel e na diáspora, segundo Dt. 17:8-14.
MA'ASSÊR - (v. "terumá") - deriva de 'esser = dez. Significa "dízima". após separar-se a "terumá" - i.e., a porção que cabe ao cohen, a dízima deve ser separada e dada ao levita. Após isto, outra dízima deve ser separada (do que restou), e os proprietários devem comê-la em Jerusalém, estando puros. A primeira dízima é dada ao levita, e chama-se "ma'asser richon" ou "ma'asser levi". A segunda separação é chamada "segunda dízima", ou "ma'asser cheni".
MA'ASSÊR 'ANI - (v. "terumá") - Nos anos terceiro e sexto (contagem feita a partir do ano de descanso da terra), a segunda dízima deve ser dada aos pobres.
MABÔI - comum a edifícios de moradia para vários núcleos familiares, que constitui de corredores entre as casas até entrar no quintal principal, que é comum a todos os moradores. Mabôi é o corredor (ou os corredores) por excelência, e muito há sobre isto em leis de chabát. Tais edifícios, comuns ao oriente médio, perdem-se já na antiguidade, achando-se ainda entre os árabes nas velhas cidades e, principalmente, nos vilarejos mais antigos.
MADIAĤ - trata-se da pessoa que desviou a maioria da população hebréia de uma cidade para outra fé. Nisto difere do "massit", que é quem desviou ou desvia judeus em particular, sem haver chegado à maioria de uma população.
MAMZER - assim é chamado o filho gerado por qualquer das relações ilícitas da Torá. O 'mamzer' não propriamente é o "bastardo" da cultura ocidental. Um mamzer, todavia, está proibido de contrair matrimônio com uma filha de Israel, havendo uma forma especial para purificar seu estado em sua prole, sendo seu estado hereditário.
MAROR - deriva da raiz "mar" = amargo. Trata-se das ervas que acompanham o sacrifício pêssaĥ durante a comemoração na qual é comido em família. Comumente, trata-se do alface.
MASSIT (v. "madiaĥ") trata-se da pessoa que desviou ou tenta desviar israelitas de sua fé, mas ainda não desviara a maioria da população judaica de determinado lugar, diferenciando-se do madiaĥ unicamente pelo fato de este outro já haver causado a muitos o desvio da fé judaica, chegando a converter a uma outra fé a maior quantidade dos habitantes judeus de determinada cidade. A ordem Divina é que tanto o messit quanto o madiaĥ sejam mortos pela penalidade de apedrejamento judaico (seqilá), após julgamento numa corte de Torá. Exemplo de messit e madiaĥ em nossos dias: o evangelismo missionário fomentado por judeus cristianizados, que se intitulam "judeus messiânicos" e têm por meta o desvio dos israelitas do Pacto Eterno de Deus, outrora dado no Sinai para toda a eternidade, conforme testifica a Torá em vários lugares. é claro que não incorrem nesta penalidade missionários não-judeus, que estão desobrigados da Lei de Moisés, incorrendo simplesmente na penalidade dada por Deus a Noé e descendência para sempre, que proíbe atos idolátricos, pelos quais incorre em pena por "sêif", se julgado por uma corte que julgue de acordo com suas leis (ver termo).
MACHBER - assento especial perfurado sobre o qual assentava-se a mulher ao dar à luz a criança. Deriva do verbo chavar (lichbor), que significa quebrar, romper, provavelmente em alusão ao sofrimento pelo qual passa a parturiente.
MATZÁ - pão assado sem fermentação alguma, feito de farinha e água, unicamente.
MATZEVÁ - pedra ou lage memorial. No passado, era comum entre as nações o levantar lages para idolatria, como faziam os druídas nas terras britânicas, ou outras formas idólatras, pelo que a Torá nos proibira de fazê-lo. Tal era levantada geralmente sobre os montes, ou sobre os palanaltos, servindo de ponto reconhecido para reunião das multidões em adorações de ídolos, em lugares nos quais não fora nem seria erigido nenhum Templo, destinado para o culto ao ar livre. - Leis de idolatria 6:9.
MATZÔT - plural hebraico da palavra "matzá.
MECHIKHÁ - o significado desta palavra é "ação de puxar", e provém do verbo "machakh" = puxar. A efetuação de compra e venda entre os israelitas, conforme determinado pela halakhá, faz necessário a ação mencionada para que seja tido como efetuada a realização da negociação. Caso haja dado o valor da mercadoria e não efetuado a ação, o negócio encontra-se ainda em realização, não havendo ainda saído da propriedade do vendedor. Em caso de objetos que não possam ser "puxados", como terra, imóveis ou várias espécies de móveis, algum objeto outro, como um lenço, desde que valha uma perutá, é elevado à altura de um têfaĥ, simbolicamente simbolizando o objeto comprado. (Não confundir com "mechiĥá", que significa "unção." Em Israel, atualmente, a maioria das pessoas pronunciam ambas as sem distinção, com excessão de alguns sefarditas e judeus orientais, que preservam a distinção entre as letras "ĤET" e "KHÁF" sem "daguêech" (ponto ficativo colocado dentro da letra, que modifica sua pronúncia). "MACHAKH" e "MACHAĤ" são verbos cabalmente distintos.)
MECHUMAD - deriva do termo "chemad" - que significa literalmente "destruição", mais utilizado comumente em sentido de "destruição espiritual". Há várias classes, mas a pessoa classificada como "mechumad" por excelência, são dois tipos: a) aquele que não cumpre com os mandamentos da Torá em geral por opção livre; b) o que opta por outra fé qualquer contrária à Torá, especialmente as religiões idolátricas, por livre e espontâneo alvedrio.
ME'ILÁ - trata-se do uso profano de qualquer das coisas santificadas do, ou do Templo, seja utensílios, seja alimentos ou qualquer outro pertence destinado ao que é mais elevado em termos de santidade. Os sábios explanam no Trt. Berakhot no Talmud que a pessoa que tira deste mundo prazer sem antes bendizer, é comparado a quem entra no Templo e toma de lá algo sem que possa fazê-lo segundo o determinado na Lei de Deus, pois o universo todo é pertence de Deus, e não somente o Templo, não sendo Deus resumido nem mesmo ao universo. ( Voltar)
MELIQÁ - Os sacrifícios em geral são degolados, porém os sacrifícios de aves são feitos de uma forma muito especial, que é a seguinte: o cohen enfia alguns de seus dedos entre as alas da ave e abaixa sua cabeça com outro dos dedos, deixando o polegar direcionado sobre a nuca da ave, onde sua unha é introduzida, separando o crânio do corpo, cortando juntamente o canal da via respiratória e o alimentar no sacrifício holocausto ('Olá). Segundo Rav Sa'adia Gaon, após o ato de "meliqá" deve-se degolar a ave, conforme escrevera no comentário sobre a Torá.
MÊQAĤ TA'UT - "Mêqaĥ" significa "compra", e "ta'ut", engano, erro. literalmente traduzido, seria: "compra enganosa", e, neste caso, fica anulada automaticamente a negociação. O judeu, ao vender algo, é obrigado pela halakhá a deixar claro para o comprador todo defeito que porventura possa haver no objeto ou imóvel a ser por ele vendido, e caso haja sido blando para com o comprador, mesmo que este haja realizado todo o necessário segundo a halakhá para efetuar a compra, tudo o que fizera torna-se automaticamente invalidado a partir do momento em que haja descoberto o engano (mesmo que não haja uma razão que indique capciosidade por parte do vendedor), e como se jamais houvesse efetuado a compra. O vendedor deve devolver-lhe o valor pecuniário recebido, e tomar de volta o objeto vendido.
MÉRCULES - ídolo da antiguidade, identificado como Mercúrio, conhecido também como "Hermes", cuja forma de idolatria consistia em lançar-lhe pedras. O dia semanal consagrado a esse deus ainda hoje tem seu nome em língua espanhola (miércoles=quarta-feira - não confundir com a expressão latina "mehercules" - que significa "por Hércules"). Ao lado, na gravura, aparece o símbolo desta deidade, conforme trazido nos livros maçônicos, os que são ainda as maiores autoridades em tudo o que diz respeito às simbologias idolátricas místicas dos povos da antiguidade, os que ainda são os que praticam as antigas formas secretas de magia egípcia e babilônica na atualidade. Mércules simbolizava a "energia vital" entre os iniciados no esoterismo grego e egípcio na antiguidade. No antigo Egito, seu nome era "Thoth" (ou Tutí), e varia nos escritos místicos ocidentais entre os países sua transliteração, podendo ser encontrada em regiões eslávicas a forma "Tocz", ou em países latinos, "Toch", ou simplesmente "Tot". O nome, em sua forma polonesa, mas transcrito com a forma secreta cabalística, figura nas últimas páginas do livro cabalístico "judaico" que, segundo a "tradição", fora entregue pelo anjo Raziel ao primeiro homem Adão. "Thoth" fora chamado pelos egípcios na antiguidade de "O senhor dos livros divinos", e "O escriba da companhia dos deuses". A forma figurada deste ídolo entre os egípcios difere, porém, da comum entre os antigos gregos. Os primeiros tinham-no com corpo humano e cabeça avícola, como uma "íbis" (ave mitológica). Os segundos, corpo humano e cabeça de carneiro. O nome "Hermes" - segundo a maçonaria - deriva do nome Ĥiram. O carneiro egípcio simbolizava a potestade egípcia que determinava o que fazer às nações, e tal fora degolado diante de seus olhos por ordem divina pelos hebreus, dando origem ao sacrifício pascal judaico. "Hermes" era (e é ainda nas ordens místicas secretas) simbolizado também por um dragão, simbolizando a "sabedoria universal". Similarmente, simboliza o bissexualismo, ou o hermafrodismo, tal e qual a águia bicéfala (símbolo do grau 33º da franco-maçonaria).
METZORÁ' - traduzido erroneamente pelos tradutores da Bíblia como "leproso". Trata-se da pessoa leva em sua pele manchas consideradas impuras pela Torá, e nada tem a ver com a enfermidade conhecida como hanseníase ou lepra. (V. neg'á)
MICHNÁ - Conjunto de escritos compilados por Rabi Iehudá (Judá) ha-Nassi, que contém toda a Torá oralmente recebida no Sinai por Moisés. Tanto a Michná como sua acompanhante, a Gemará, devem ser estudadas através de regras. Rabi Chemuel ha-Nagid compilou um livro de regras de estudo e de legislação talmúdica, baseando-se no livro de regras de um dos últimos geonim de Sura, Rabi chemuel ben Ĥofni ha-Cohen Gaon. (Geonim - plural de gaon - veja o termo.) Muitos rabinos aĥaronim encontram dificuldades imensas em explicar certas legislações de R. Moisés Maimônides em seu grandioso e inefável livro, o Michnê Torá. Isto se dá por três motivos principais: a) A linguagem na qual fora escrito - o hebraico michnaico - exige uma leitura contínua (desde seu princípio atê seu final), não somente em assuntos e capítulos, como em todo o compêndio. Hoje em dia, pelo fato de estar a maioria acostumada a ler na gemará o texto talmúdico e verificar em seguida o que disseram os grandes exegetas e legisladores sobre o assunto, vão direto ao canto da página que indica onde se encontra a dita halakhá cita no Talmud no Michnê Torá, sendo este método errôneo quando se trata de estudar o Rambam; b) Em seu prefácio ao Michnê Torá cita o autor muitas fontes que, em nossos dias, são inexistentes; c) As regras de estudo do talmud usadas pelo Rambam foram outras em grande parte delas, pois vários casos de erros de copiadores caíram nos palimpsestos das regras, e qualquer estudioso veraz pode dar-se conta do fato. Além disso, vários casos há de regras desfeitas no próprio Talmud, em especiais ocasiões. (V. o caso de Rabi Ioĥanan, no trat. 'Erubin pg. 56, e compare com Ketubôt 84, na discussão de Rabi Iohanan e Rêch Láqich na Gemará acerca da discussáo na Michná entre Rabi 'Aqiba e Rabi Tarfón). - Há outros exemplos, mas o tempo urge e não é este o lugar para tais. A grande importância que há no Michnê Torá e que o distingue de demais escritos rabínicos de sua época em toda a Europa, é principalmente o fato de ser o Rambam discípulo direto dos geonim, e estes dos amoraím , que por sua vez o foram dos tanaím até Moisés, que recebera diretamente da Divina Presença, no Sinai. As regras de legislação utilizadas pelo Rambam são, outrossim, as mesmas empregadas pelo grande cohen de Fez, Rabi Isaac Alfassi. Este, contudo, pusera em ordem concisa e prática toda a legislação talmúdica, senão parte dela. (v. também gemará e Talmud)
MINHAG - traduz-se geralmente por costume. Optei às vezes por não traduzi-lo por motivo da confusão vigente com respeito à verdadeira significação do termo, que perdera após o período dos geonim, seu original sentido. Trata-se de certa classe de decretos rabínicos, análogo a taqaná e gezerá, mas um tanto mais leve. Em nossos dias, qualquer coisa que o povo haja tomado liberada decisão de por em prática grupalmente (e, em alguns casos, mesmo não grupalmente), é tido como minhag. No período talmúdico e gaônico, e na península ibérica e oriente a antiga forma de entender o termo perdurou por muitos séculos mais tarde, pelo menos até a influência do grande cabalista R. Isaac Lúria tomar conta da Terra de Israel e do oriente, distinguia-se costumes de cunho folclórico de costumes promulgados por um Bet- Din. é um dos motivos pelos quais os discípulos do Gaon de Vilna citam no livro escrito em sua memória, em versos: "Não deu atenção aos "costumes", nem dissera: "Poq, hazê!" - (expressão que significa: "Saia entre o povo, e veja o que fazem: assim é a lei!") - Sua disposição firme, contra todo o meio no qual crescera, em observar a halakhá de acordo com suas fontes no Talmud, levara-o não somente a observar os minhagim lembrados no Talmud, senão a executar uma transformação plena no sidur achkenazi, obliterando tudo aquilo que lhe fora adscrito através dos séculos.
MINĤÁ - (plural: menaĥôt) libação de cereais oferecida no Templo, acompanhada pelo sacrifício. Atualmente chamam por esse nome também a oração vespertina. Pelo fato de ser desconhecido da maioria tudo o que concerne às leis do Templo, creio ser importante esclarecer aqui acerca das libações trazidas - cujo nome para todas é minĥá: primeiro, devemos lembrar que são em número, onze. Três são públicas, e nove, particulares. As três públicas, são: 1) Lêĥem ha-Panim - pães apresentados a cada sábado, não são levadas ao altar, e devem ser comidas pelos cohanim; 2) Cheti ha-lêĥem - trazido na festa de chavu'ôt, não podendo ser trazido ao altar, e são ĥamêtz; 3) 'Ômer ha-Tenufá - trazido sobre (queimado como sacrifício) o altar do fruto novo de cereais do mês de nissan, no dia seguinte ao do sacrifíicio pêssaĥ (15 de nissan). Não é ĥamêtz. Nove particulares: 1) minĥát ĥotê - trazida pelo pobre cujos bens não lhe permitem trazer sacrifício animal ou avícola pela transgressão inintencional; 2) minĥát sotá - ou minĥát qenaút - trazida quando a sotá é levada ao Templo por motivo de desconfiança conjugal; 3) minĥát ĥinukh - trazida pelo cohen quando principia o preenchimento de seu cargo sacerdotal; 4) minĥát ĥavitin - trazida pelo cohen gadol (sumo-sacerdote a cada dia); 5) minĥát ha-sôlet - vem por promessa ou por dádiva; 6) minĥát ha-maĥvat; vem por promessa ou por dádiva; 7) minĥát marĥêchet - vem por promessa ou por dádiva; 8) minĥát maafê-tanur ĥalôt; vem por promessa ou por dádiva; 9) minĥát maafê-tanur reqiqin - vem por promessa ou por dádiva. Todas as nove são sacrificadas sobre o altar.
MIN (pl: "minim") - há várias classes de "minim", ou em outras palavras, que deixaram-se levar pela "minut" (a terminologia "ut" hebraica equivale a "ismo" em português). A pessoa que descrê da Torá, ou parte dela, ou da Torá Oral em sua totalidade, aceitando unicamente a Torá escrita, ou o indivíduo que optou por outra religião, seja qual for. Parecido com isto - os "Epicursim" - pelo nome de Epícuros, o famoso filósofo javânico da antiguidade, que são os que dizem não ser a Torá oriunda de Deus. O exemplo mais clássico de "minim" é o dos primitivos cristãos, que eram judeus e optaram por novas formas de crença em desacordo total com as normas da Torá, sobre os quais decretara o Sinédrio nos dias de Raban Chime'on ben-Gamliel que fosse proferida sobre os mesmos uma maldição, para que fossem desarraigados do povo de Israel. Esta maldição acha-se entre as bênçãos a serem proferidas por todo judeu em cada oração diária semanal, e chama-se "birkat ha-minim". Deus se apiedou de nós, e aquele pequeno grupo que entregava judeus para serem mortos pelos romanos empeçaram a converter pessoas para seu meio exacerbadamente, não segundo as normas do judaísmo, pelo que outros judeus deixaram de contrair com eles matrimônio. Estes, por fim, fundaram a maior religião ocidental, que já são algo à parte, não considerados "minim", pois o termo refere-se somente a judeus.
MIQDACH (ou Bet ha-Miqdach) - O Templo, conforme conhecido entre os não judeus. Foi construído pelo rei Salomão, destruído pelos babilónios, reconstruído posteriormente por Ezra e Nehemias, e destruído novamente pelos romanos no ano 70 da era comum ocidental. O local reconhecido como sendo o local do Templo é onde se assenta o monumento conhecido como "Domo da Rocha", erguido por um califa em honra ao local sagrado dos judeus. Com o tempo, os muçulmanos passaram a tê-lo como um dos lugares sagrados islâmicos. Porém, variam as teses acerca do verdadeiro lugar onde achava-se o Templo e o Santuário, sendo que uma das teses (Ernst L Martin, veja gravura ao lado) afirma ser situado bem ao sul do Domo da Rocha, sobre a fonte de chilôaĥ, sobre metade do monte ou maior parte construída artificialmente. Esta tese condiz com as palavras do Rambam acerda da construçção do Templo haver sida sobre pequenas abóbadas, na elevação do monte, evitando assim a impureza.
MINIAN - quórum mínimo de dez pessoas para as orações públicas.
MÔLEKH - Idolatria do antigo Oriente Médio, comum a vários dos países da região, especialmente aos amonitas. Seu nome deriva do termo semítico "mêlekh" ou "málik" , que significa "rei". Consistia no levantamento de um altar no qual era aceso o fogo pelo qual o pai, após entregar seu filho nas mãos do sacerdote para que seja "afilhado" de Môlekh, recebe-o de volta e passa com o menino sobre o fogo a pé, cruzando as labaredas, dedicando-o ao deus. Não se confunda esta idolatria com outra, na qual entregavam os filhos em idade tenra para ser queimados diante do ídolo. Alguns setores interiores no Brasil ainda conservam resquícios desta idolatria antiga nas festas (católicas romanas) juninas, e o mesmo ocorre na índia por seitas de religiões orientais regionais. - Leis de Idolatria 6:5
MUQSÁ (múqtze) - é o termo que designa tudo o que, ao crepúsculo da véspera de iom tob, esteja inapto para uso, tornando-se inapto durante todo o dia de iom tob. De acordo com o Rambam, há diferença entre muqsá e "objetos que não podem ser portados no chabát" (no próprio recinto particular), que são duas idéias totalmente separadas. Em nossos dias, não distingue a maioria dos rabinos entre ambas.
MUSSAF - todos os dias no Templo em Jerusalém incorremos nós os hebreus na obrigação de efetuar dois sacrifícios: um pelo amanhecer, um pelo atardecer. Estes são os chamados "tamid" - traduzido comumente como "sacrifício perene", ou "sacrifício perpétuo", ou ainda "diário". No sétimo dia semanal judaico, bem como nos dias de "Roch ĥôdech" (primeiro dia do mês lunar), e dias festivos hebraicos em geral, cuja santidade é da Torá, e não por decreto dos Sábios - há um sacrifício adicional após o do amanhecer. este é chamado "mussaf" - "acréscimo". A oração que segue a oração matutina deve ser efetuada neste mesmo tempo, e recebe o mesmo nome.
MUGMAR (ou mais corretamente: "mughmar") - Deriva do verbo hebraico "gamar", que significa "terminar". Mugmar é o incenso pós-refeição que no período bíblico e talmúdico costumava-se colocar no local onde fora feita, ao término da mesma. O costume do uso deste incenso após a refeição é tipicamente oriental, pelo que devido à influência ocidental na maioria dos judeus durante o prolongado exílio, caíra em nossos dias em total desuso, conservando-se na memória unicamente dos estudantes talmúdicos.
NASSI - assim eram intitulados os presidentes do Sanedrin, que ocupavam um lugar de honra ao lado do principal do Sinédrio. A partir de Hillel, o cargo permanecera com seus descendentes, até Rabi Iehudá ha-Nassi. O posto era equivalente ao do Rech Galutá na Babilônia, que era descendente direto da família real davídica, dos filhos do último rei de Judá, Joaquim (Iehoiakhin). Devido ao fato de não haverem descendentes diretos do Rei David na Terra de Israel, ocupara o posto a família de Hillel que, apesar de serem oriundos da tribo de Benjamin, eram descendentes da casa real de David por linha materna. Veja "RECH GALUTÁ". Na penísula ibérica, a exemplo da autonomia judaica desde os dias do exilado Rei Joaquim em 500 antes da era comum ocidental (2Re 24:15) funcionara durante o período do domínio islâmico, uma autonomia judaica com sede na importante cidade de Lucena, cujo governo geral judaico ficava nas mãos do "nagid" (título hebraico de nobreza). Tal foi copiado da região árabe espanhola e aplicado nas regiões centrais e setentrionais originalmente cristãs, e o dirigente foi chamado "nassi" ("presidente").
NAZIR - traduzido comumente "nazireu". é a pessoa que, por voto se auto proibira de diversas coisas que para a maioria são comumente permissivas. O voto do nazir, caso não haja marcado seu período por sua própria decisão no momento do voto, é de trinta dias. Três coisas em especial são proibidas para o nazir pela Torá: a) cortar o cabelo; b) impurificar-se; c) comer uvas ou tomar derivados de uva. Ao terminar seu voto o nazir deve trazer três sacrifícios especiais por seu voto: 'olá, ĥatat e chelamim.
NEG'Á - o mesmo que "tzará'at" - comumente traduzido por lepra, ainda que nada tenha a ver com a doença, conforme explicado adiante na palavra tzarâ'at neste glossário. São quatro os tipos de manchas impuras: duas principais: 1) seêt; 2) bahêret - e duas derivadas: 1) sapáĥat seêt; 2) sapáĥat bahêret. Toda mancha na pele que seja mais escura do que a cobertura sob a casca que cobre o ovo, não é "neg'á tzará'at, sendo portanto, pura.
NÊTEQ - queda de cabelo impurificadora - na cabeça ou na barba - cujos sinais são: a) queda do cabelo, ficando o espaço vazio onde antes havia cabelo; b) nascimento de fios curtos de pelo dourado no local (mínimo: dois fios.) O espaço no qual havia antes cabelo deve medir no mínimo o suficiente para que houvessem nele trinta e seis fios.
NEVELÁ - literalmente, carniça. Serve para designar todo animal cujo abate não fora efetuado de acordo com a lei judaica em todos seus pormenores. Cinco ações principais são proibidas no abate, e se uma delas ocorrer, o animal abatido é considerado nevelá. (Não confundir com terefá ou "trefá".)
NE'ILÁ - A oração de encerramento do iom kipur, ou dia da expiação. Deriva seu nome do verbo na'al - fechar, trancar. Após esta oração espera-se a saída das estrelas para o encerramento do jejum. Ela é efetuada junto ao crepúsculo, devendo ser terminada com este.
NIDÁ - estado de impureza no qual se encontra a mulher durante e após os dias do período menstrual, até que se haja imerso em águas de miqvá ou fonte natural sete dias depois do último no qual ainda viu alguma mancha.
NIDÁ, águas de - o mesmo que mê ĥatat ou águas de ĥatat. Assim é chamada na Torá a água na qual se despejara a cinza da vaca vermelha, que serve para purificar de impureza de cadáver. A água deve ser trazida de uma fonte natural, obrigatoriamente em um utensílio.
NIDUI - segundo sentido da palavra ĥêrem, com pouquíssima diferença. Seria dizer, um ĥêrem em menor grau. Trata-se da excomunhão judaica declarada no tribunal de Torá, ou por um sábio. para melhor compreensão, v. ĤEREM. V. também chamtá
NISSAN - é o sétimo mês hebraico a partir de tichrê, e o primeiro para a contagem dos períodos de reinados.
ONEN - Assim se chama a pessoa que está enlutada no dia do falecimento da pessoa pela qual se enluta, e também na noite por decreto rabínico, desde que seja o luto por uma das pessoas sobre as quais a Torá ordenara que se enlutasse.
ÔV - outro dos adivinhos lembrados na Torá. (V. ide'oni) O feitio do ôv é acender incenso enquanto move um ramo de mirta na outra mão, dizendo palavras conhecidas entre os ditos idólatras, adivinhando em seguida o futuro. Outro tipo de ôv, ventríloquo, toma em suas mãos uma caveira, acende-lhe incenso, fazendo parecer que ela emite vozes revelando coisas que ainda estão por vir. Também deste tipo de adivinho se desenvolveram vários tipos conhecidos em nossos dias, e todos têm conexão direta com a idolatria, da qual fomos ordenados estar distantes. A penalidade para o caso de ôv ou de ide'oni é "carêt" (morte espiritual), caso haja sido feito espontânea e intencionalmente, e sacrifício "ĥatát qevu'á", caso haja feito sem saber que trata-se de proibição.
'OLÁ - comumente traduzido "holocausto". São sacrifícios cuja carne está destinada a ser totalmente incinerada no altar.
'OLÊ VEIORED - literalmente, "sobe e desce". Quando o apresentador do sacrifício for rico, podendo sacrificar um animal, e a pessoa pobre só traz sobre o mesmo caso uma ave, outro mais pobre ainda pode trazer simplesmente o décimo de um efá de farinha para que seja apresentado, o sacrifício recebe o nome de "sacrifício que sobe e desce", e vem como ĥatat por certas transgressões.
'OLÊLET - o cacho de uva, geralmente menor do que os normais, que nasce nas costas do galho, se tem ligação com o cacho que nascera em seu lugar, pertence ao dono da plantação, se não, pertence aos pobres. Uma plantação que seja toda ela assim, toda ela deve ser entregue para colheita dos pobres.
'OLELÔT - plural de 'olêlet.
'ÔMER -literalmente, feixe. No ano de "chemitá" - ou seja, o sétimo ano, designado para descanso da terra, no qual todo o fruto da terra é desapropriado, o tribunal rabínico ordena guardiães assalariados que preservem da vegetação nova uma parte do que germina dentre os cereais, para que dele seja feito o pão e o ômer, o Certa medida que havia no Templo.
'ONEN - (não confundir com "onen" mencionado acima: o primeiro, sua grafia principia com alef; o segundo com 'ain) Trata-se de outro dos adivinhos lembrados na Torá, a exemplo do 'ôv e do ide'oni. O "me'onen" caracteriza-se especialmente por marcar dias de sorte ou de azar, anos de fartura ou de fome, pestilência ou guerras - pela astrologia. Trata-se do astrólogo preditor do futuro, com o qual se consultam os pobres estultos e os pacóvios para marcar datas de casamento ou buscando outras pascaciedades, similarmente.
'ORLÁ - lit. PREPÚCIO. Há na Torá três casos de prepúcio: o primeiro, refere-se à pele que cobre a glande, que deve ser cortada ao oitavo dia do nascimento do judeu, segundo prescrito na Torá, que é o preceito da circuncisão, seguido de mais dois pormenores, esclarecidos nas leis de circuncisão. O segundo caso, é o do fruto de árvores antes terceiro ano nos quais dera frutos. O terceiro é claramente figurativo, tratando-se do "prepúcio do coração", conforme lembrado muitas vezes na Bíblia. O caso de prepúcio dos frutos é o que faz com que o fruto seja proibido a partir do momento no qual a árvore principia a dar seus frutos durante os três primeiros anos, sendo proibido utilizar-se dele para alimento. (v. Lv 19:23)
PEÁ - (no plural: peôt) canto do campo plantado que deve ser deixado para o proveito dos pobres. Também chama-se "peá" qualquer um dos cantos das cabeça sobre o osso diante das orelhas, que os achkenazitas e parte dos judeus iemenitas deixam crescer exageradamente, sendo a proibição da Torá simplesmente o raspar-se ali com navalha. Também alguns judeus oriundos de países árabes, Terra de Israel e sefaraditas - especialmente na Terra de Israel - talvez levados por um sentimento de "admiração" por seus irmãos achkenazitas, aderiram a este costume a partir de meados do século XX e.c.
Chama-se "peá" igualmente qualquer um dos cinco cantos da barba, pelo que se proíbe barbear-se com navalha toda a barba, por não sabermos quais são exatamente os cinco cantos. Ao que tudo indica,os achkenazitas empeçaram este costume de deixar crescer as madeixas mais que o normal exigido pela Torá por razão de necessidade de reforço de sua identidade judaica, a mesma razão de seus indumentos estranhos e antiquados, ou a cor preta deles, numa busca de acentuar suas diferenças das comunidades gentílicas européias, quando estes deixaram de requerer deles um "sinal pejorativo" que lembrasse sua judeidade, como o uso de um chapéu diferente ou algo similar. A proibição expressa na Torá, porém, é simplesmente a de raspar os cantos da cabeça diante das orelhas com navalha. Por cada um dos dois cantos da cabeça e dos cinco da barba incorre-se em pena de trinta e nove açoites. Os iemenitas também conservam este estranho costume de deixarem crescer as madeixas, e dizem que por decreto de um certo rei, que ordenara que assim fizessem como sinal de diferenciação que os distinguisse de seus vizinhos muçulmanos, algo parecido com o chapéu pontudo na Europa da idade média. Todavia, não se sabe realmente se é esta a verdadeira razão, ou se tem a ver com o trazido na Tossefta acerca de certo Sábio que deixara sua barba crescer demasiadamente para servir de sinal contrário aos que transgrediam o preceito, depilando-se a exemplo dos gregos e romanos.
O costume de deixar crescer as madeixas ao longo do rosto, ou seja, mais do que o suficiente para contornar o lóbulo auricular, é estranho mesmo aos achquenazitas, originalmente, e típico ĥassidismo, movimento esotérico criado por rabi Israel ben-Eli'ezer, mais conhecido como "Ba'al Chem Tov", tendo razões místicas intrinsecamente ligadas à circuncisão, sendo a diferença numérica de ambas as palavras apenas um algarismo (peá= oitenta e seis, valor numérico do nome "Deus" em hebraico, e do termo "a natureza", acompanhado de seu artigo, que em hebraico se junta à palavra; "milá" = circuncisão - equivale a oitenta e cinco), que tem por sua vez outras conotações místicas.
Suas tradições e pensamento são de todo estranho aos sefarditas, contrário ao que se pensa que o movimento foi influenciado por judeus hispanos que difundiram a ciência mística. A grande maioria dos rabinos sefarditas foram contrários à cabalá e suas crenças, cogominando-a de "filosofia platônica" e "segunda forma de cristianismo", e os que aderiram a ela, entre os sefarditas da antiguidade, fizeram-no através dos ensinamentos de rabi Mochê Cordovero, que é em muito distante da difundida no meio ĥassídico, assemelhando-se mais à propalada pelo rabino italiano Mochê Ĥaim Luzzatto e pelo Gaon de Vilna.
PÊRET - uvas que caem durante a colheita e devem ser deixadas para os pobres.
PERUTÁ - comumente, hoje em dia, por influência do hebraico mal pronunciado do Estado de Israel, que foge demasiado às regras gramaticais de pronúncia - diz-se "prutá". Trata-se da menor moeda hebraica no período talmúdico, de valor ínfimo.
PÊSSAĤ - é o nome do sacrifício comido na noite de 15 de nissan, em comemoração à saída do Egito, traduzido pelos tradutores ocidentais das Escrituras como "sacrifício pascal", apesar de o "pêssaĥ" nada ter em comum com a festa dedicada a Ishtar que leva até hoje o nome desta deusa pré-cristã em inglês (Easter). Costuma-se chamar pelo mesmo nome o festival no qual se come o sacrifício, que são sete dias de festa pela Torá.
PE'OR = Ou Ba'al Pe'or - ídolo da antiguidade cuja forma de culto consistia em que se fizesse diante dele necessidades fisiológicas, que é o significado literal de seu nome. Algumas nações orientais de origem semítica até hoje curvam-se em suas orações com determinada região corporal levantada em direção ao alto, e segundo se busca as fontes de cada coisa, apesar de sua forma de rezar haver sido aprendida da forma judaica de efetuar o trecho pós oração que se chama "nefilat apáim", este pormenor de levantar a parte corporal trazeira ainda conservam da época em que serviam ao tal ídolo, cujo nome em português significa: "Senhor dos Excrementos". Há quem diga que seu serviço "sagrado" envolvia também casos de homossexualismo entre seus sacerdotes, ou fórmulas mágicas segundo as quais fazia-se necessário que houvesse um relacionamento "incomun" entre um homem e uma mulher.
PESSULÊ HA-MUQDACHIM - sacrifícios invalidados - e várias são as razões para que tal ocorra.
PIGUL - Pormenor demasiado importante nos sacrifícios em geral, é o pensamento do cohen que o faz, sendo três os pensamentos que, no momento da efetuação do sacrifício, podem invalidá-lo: mudança de lugar - seja da degola ou de aspergimento do sangue; mudança de nome - ao sacrificar um "'olá pensou que fosse chelamim; mudança de tempo - ao realizar o ato do sacrifício, pensara em deixar para aspergir o sangue após o pôr do sol, ou comer a carne após o subir da alva, isto é, após o tempo prescrito pela Torá. Caso haja pensado sobre certo sacrifício no momento de sua degola que o fazia com a condição de que seu sangue fosse espargido sobre o altar após a posta do sol, que não é o tempo apropriado para tal, ou apresentar seu incenso no dia seguinte após o subir da alva, que também não é seu tempo, é a carne de tal sacrifício chamado "pigul", e torna-se proibido comer dela, tornando-se tal sacrifício inválido. Nos demais casos citados, ficam igualmente invalidados, mas não são chamados "pigul"
PIQUAĤ NÊFECH - é a expressão hebraica que indica a verificação e busca de salvamento de qualquer pessoa judia que encontre-se em perigo vital. Todo caso de periculosidade vital desfaz toda validade e importância de qualquer preceito da Lei Hebraica, posto que a Torá mesmo disse que "...que fará o homem, e viverá por eles..." - Lv 18:5, e não que morramos por eles, e a Torá é misericórdia e piedade, não crueldade por parte de Deus, que a deu. Ou seja, mesmo em caso de dúvida, e mesmo no dia de chabat ou kipur, tudo o que puder ser feito deve ser efetuado para salvar uma vida, e este caso de dúvida vale mesmo para quando há quase certeza absoluta de que a pessoa achar-se-á morta. Bom exemplo disto é trazido no Tratado Iomá 83a (são trazidos ali outros casos), sobre a pessoa que se acha sob escombros de uma casa desmoronada, mesmo que aos olhos do espectador seja claramente impossível que haja possibilidade de sobrevivência. (voltar)
QABALÁ - (ou: divrê qabalá) - Trata-se de pormenores recebidos de Mochê Rabênu que não se encontram escritos na Torá, mas há sobre tais alusões nos escritos dos profetas. Por exemplo, sabemos que um judeu que mantém um contubérnio com uma mulher não judia é passível de "carêt" (morte espiritual), por ser lembrado em um dos profetas (Ml 2:11,12 - v. "Sêfer ha-Mitzvôt, preceitos negativos, nm. 52), apesar de que na Torá escrita não se encontre alusão a isto. Não confunda-se de modo nenhum com o que normalmente é conhecido por "qabalá", ou seja, o misticismo desenvolvido entre os judeus a partir da Idade Média. Nada tem a ver uma coisa com a outra. O caso aqui trazido é transmitido desde o Sinai, oralmente, e refere-se unicamente a preceitos. O outro trata de conjecturas às quais deve chegar a pessoa pelo uso de suas faculdades racionais, analisando cada pormenor da criação, da natureza e de versos bíblicos, especialmente os que relacionam-se à criação no gênesis, e não há nisto senão depreendências. Muitos sábios aderiram a este modo de pensar, enquanto que outros ainda na Espanha afirmaram tratar-se de "platonismo" oposto ao racionalismo aristotélico.
QADOCH - traduzido comumente como "Santo", sem que haja conexão direta entre o original significado do termo em hebraico, e o original significado latino, além de nada ter a ver o termo hebraico com a idéia ocidental de "santo", que já distanciara-se inclusive de sua origem latina. O termo latino "sanctus" significava o que hoje se diz "sancionado", e o termo "santo" atual está conectado com a fé nos deuses helênicos e romanos pré-cristãos em sua idéia, ou com abstinência total do deleite físico. O termo "qadoch" hebraico indica de certo modo separação, sem que seja este o termo exato para sua tradução. Veja-se por exemplo que o indivíduo antigamente separado por determinada operação ainda em tenra idade, designado para objeto sexual masculino, era determinado "qadech" (tal operação ainda era comum até recentemente em determinados países do oriente, como a Índia, e provavelmente haja ainda quem a realize. Tomam uma criança de sexo masculino, cortam-lhe o membro, deixando apenas pequena cavidade para a urina, e introduzem seus escrotos para dentro da cavidade pélvica, sobre o que resta do membro por baixo da pele pílvica, o que faz que ao desenvolver-se sexualmente desperte o desenvolvimento de hormônios femininos, dado ao uso do corpo permanentemente como mulher, tendo seu aparelho sexual atrofiado). O nome "qadech" designa o indivíduo especialmente separado para tal fim, e este é o sentido de todo termo derivado de "qôdech" - separação para determinado fim. Por esta mesma razão o povo de Israel é chamado de "povo santo" ("'am qadoch"), e por esta mesma razão a pessoa que busca melhorar suas virtudes se "santifica", por seu distanciamento do geral humano. O mesmo concernente a coisas separadas especialmente para o Templo - objetos ou campos - separados especialmente para o servir a Deus.
QADICH - termo aramaico equivalente a "qadoch" em hebraico, traduzido como "santo" nas Bíblias em idiomas latinos. É também o nome de uma prece de louvor a Deus, dito antes do princípio da reza pública, e a seu término. Comumente ao ouvir-se o termo "qadich" muitas pessoas incultas em questões de judaísmo tem em mente ser esta uma espécie de "prece pelos mortos", por razão dita por um ano por alguém que haja perdido algum ente familiar, pelo que acho importante ressaltar aqui que tal tipo de prece não existe no judaísmo, segundo o qual a pessoa pode aperfeiçoar-se e prontificar-se para o juízo de sua alma somente durante sua vida sobre a Terra. A prece normalmente tida como "prece pelos mortos" é, na verdade, uma prece na qual se reconhece a soberania do Altíssimo, em cujas mãos está a vida e a morte, e o julgamento de todos os seres, indicando que mesmo na dor maior da perda de um ente querido, o judeu louva a Deus e reconhece Sua soberania, admitindo serem justos Seus juízos, mesmo quando o homem se dificulta a entendê-los. Não se reza nem ao morto, nem pelo morto.
QAL VAĤÔMER - uma das treze regras pelas quais a Torá é explanada. Certo sábio sefardita tunisiano de nossos dias diz que deve ser dito qol ve-ĥamur, mas como está assim trazido nos manuscritos, e esta tradução foi efetuada diretamente dos manuscritos mais originais que se acham em nossos dias, prefiro deixar a transliteração do termo tal e qual está transcrito nas fontes utilizadas por mim, sem tirar, contudo, sua razão para tal afirmação, muito racional. Qal - literalmente, significa leve; ĥômer - matéria, que é a origem da palavra ĥamur - significa: grave, sério. Equipara-se por esta regra duas leis similares, e entende-se o mais grave através de outro mais leve. Por exemplo, sabendo-se que em chabat não pode-se acender fogo, no dia de kipur, que é chamado na Torá de Chabat Chabaton, tal será logicamente proibido com muito mais gravidade. (veja a outra regra acima: gezerá chavá, para esclarecimento de mais pormenores importantes acerca das treze regras e seu verdadeiro funcionamento e uso.)
QENÁS - traduz-se em português como "multa", e em questões de halakhá refere-se aos pagamentos instituídos ou pela Torá, ou pelos Sábios em casos de prejuízo monetário, físico, moral e roubo, e são diversos. Há também os casos de "qenás" nos quais simplesmente proíbe-se que a pessoa tenha usufruto em algo efetuado em transgressão. Trazemos aqui alguns exemplos de qenás:
1 - Roubo - O ladrão (não assaltante ou o que mantém à força consigo algo acerca do qual o proprietário está consciente, mas por temor ou por outra razão que se assemelhe não vem pedir a devolução) em caso de roubo de boi deve pagar cinco vezes mais o preço do valor do boi, caso haja este sido vendido após o roubo, ou mudado em sua natureza. Em caso de roubo de gado ovino, quatro vezes mais o valor do roubo. Em casos de objetos, o dobro do valor.
2 - Estupro e sedução - Em caso de estupro de uma virgem, ou de sedução, paga-se cinquenta "sela'im" de prata - havendo uma diferença entre ambos: o sedutor, caso a moça e seu pai queiram que esta seja-lhe por esposa, não é obrigado a tomá-la, senão deixa-lhe os cinquenta sela'im de prata, e se vai. Quanto ao estuprador, caso este não queira, mas a moça e seu pai quiserem - é obrigado a tomá-la por esposa contra sua vontade, e jamais pode divorciá-la, estando totalmente entregue na decisão do pai e da moça. Esse peso em prata, porém, é dado apenas pelo prazer do ato sexual que desfrutara o sedutor ou o estuprador, e para ambos há ainda somas a pagar: o sedutor, paga mais duas somas, e o estuprador, mais três. O primeiro paga pela vergonha causada à moça e à família e pelo defeito (pois esta antes podia tornar-se esposa de um cohen, e agora fica-lhe proibida), e o estuprador paga além destes pela angústia causada à moça ao fazê-lo sem sua anuência. Estes três últimos variam segundo a pessoa, segundo a idade da moça, segundo sua beleza e de acordo com a importância da família e a vergonha que haja-lhe sido causada, e determinara a Torá estas coisas como a serem decididas pelos juízes segundo o caso. Chamam-se bôchet (vergonha); pegâm - (defeito) e Tzá'ar (angústia ou dor).
3 - Violência física - alguém que haja golpeado a outro paga-lhe cinco diferentes somas: nêzeq (prejuízo); tzá'ar (angústia); ripúi (medicamento); chêvet; (anulação de trabalho) e bôchet (vergonha). Denominam-se estes casos em juízo como "dinê qenassôt e dinê mamonôt", sendo no caso os cinquenta "sela'ím" - qenás, e as demais obrigações com as quais se comprometera o réu - "mamon". Diferença há entre a pessoa que haja causado prejuízo pecuniário e quem haja golpeado a alguém: o primeiro, com o pagamento se lhe expia sua falta; o segundo somente após pagar e receber o perdão de sua vítima a quem golpeara. E a transgressão é grave, sendo a maior dentre suas particulariedades a vergonha causada a outrem.
Fora da Terra de Israel, não podem os tribunais rabínicos julgar segundo todos os pormenores trazidos aqui, por não serem os rabinos "semukhim" ( V."SEMIKHÁ"). Especialmente o qenás não pode ser estipulado, e o pagamento de dobro do roubo é qenás, assim como o estipêndio pelo avergonhar a alguêm, ou pela angústia causada. Os rabinos da atualidade (que não dispõem de "semikhá") podem estipular somente o pagamento de "chêvet" e "ripúi", e somente no caso no qual a pessoa danificada tomou do danificador o valor que lhe cabia por justiça, esses deixam-no em sua mão, e ordenam-lhe que devolva somente o que haja tomado a mais de que o valor que receberia caso houvesse julgamento. Em alguns casos, tambêm "bôchet" pode ser cobrado pelo tribunal rabínico.
QEDUCHÁ - Literalmente "santidade". Cabe lembrar que o termo indispõe das mesmas conotaçãos que o termo latino e suas derivações, tendo o sentido de "separação" ou "diferenciação". Na oração define os trechos que encontram-se em três determinaos locais, especialmente, mais outras que são o proferir do "qadich" (prece especial de enaltecimento a Deus, que diz-se antes de cada vez que o público diz "Barekhu", ou a cada vez que terminam a oração, antes do recitar os salmos procedentes), e o "Barekhu", que é o princípio da reza pública. As três ocorrências chamadas por excelência como qeduchá são: 1) na primeira bênção anterior matutino, onde se diz "Qadoch, Qadoch,Qadoch!...", na repeticção pública da oração ( 'amidá ), onde o público (de pé como que estando na oração, e direcionados ao local do Templo), repete com o chaliĥ tsibur










































































































estas palavras e sua continuação, e na prece decretada pelos geonim que fosse dita após a oração de chaĥarit, depois do qadich que procede à ação de nefilat apáim, onde novamente repetem-se estas palavras, sua continuação conforme os versículos, e sua tradução aramaica. QERIAT CHEMÁ' - "Chemá' Israel: Ado-nai Elohênu, Ado-nai Eĥad!" "-Ouve, Israel: Ado-nai, nosso Deus é único"- É a frase que é em síntese a fé judaica. Encontra-se em Deuteronômio 6:4, e a leitura das três porções que começa com esta frase, e vai até o verso 9, e a seguinte, Deuteronômio 11:13-21, à qual segue Números 15:37-41 em conjunto são recitadas duas vezes por dia por cada judeu. Trata-se de um preceito positivo, e inclui que se profira ao recitar estas três porções em voz baixa a frase proferida por Jacob, nosso pai, no momento em que verificara seus filhos, pouco antes de morrer, perguntando-lhes se todos estavam de acordo com ele em sua fé na unicidade de Deus, ao que responderam: "-Ouve, Israel: Ado-nai nosso Deus é único1" - e, ele respondera: "-Bendito o Nome dAquele cuja glória de seu reino dura para toda a eternidade!" ("Barukh Chem kevôd malkhutô le'olam va'êd!").

(Leis de recitação do Chemá')
. QIDUCH HA-ĤÔDECH - Literalmente "Santificação do mês". Lê-se no Michnê Torá:
"Os meses do ano são meses lunares, conforme o escrito: O sacrifício 'Olá de seu mês, a cada mês.."1 (a maioria dos tradutores: a cada lua nova) - (Nm. 28:14) E, está escrito: "Este mês será para vocês o primeiro dentre os meses...". - (Ex 12:2) Disseram os Sábios: "Mostrou o Santo, bendito é Ele - a Moisés a forma de uma lua, dizendo-lhe: "Ao vê-la nesta forma, santifique-a!"
"Quanto aos anos, solares, porquanto está escrito: "Guarde o mês de abib..." - (Dt. 16:1) - Em quanto excede-se o ano solar sobre o lunar? Onze dias, aproximadamente; ou mais, ou menos. Portanto,quando se junta esta exceção cerca de trinta dias, seja pouco menos ou pouco mais, aumenta-se um mês ao ano, que é chamado "chaná me'ubêret"- ano bissexto, por ser impossível que seja o ano doze meses e alguns dias, por que está escrito: "...os meses do ano..." - (Ex. 12:2; Nm. 28:14) - meses você contará para anos, não dias.
"A lua oculta-se a cada mês, e não se vê por dois dias, mais ou menos, como um dia antes que "se ligue" ao sol, ao fim do mês, ou como um dia após "ligar-se" a ele, e seja vista no ocidente ao anoitecer. E, a noite em que seja vista após seu desaparecimento, é o princípio do mês, contando-se a partir daquela noite vinte e nove dias. Se for a lua vista no dia trinta, será o dia trinta o primeiro do mês; e, caso não seja vista, será o primeiro do mês o dia trinta e um, ficando o dia trinta pertencendo ao mês que culminou, sendo a vista da lua desnecessária [para a determinação do novo mês], posto que não existe mês lunar com mais de trinta dias.
"O mês no qual hajam apenas vinte e nove dias, sendo a lua vista no trigésimo, é chamado de "ĥôdech-hassêr". Se a lua não for vista, e for o mês passado de trinta dias, é cogominado de "ĥôdech-me'ubar" e é chamado "ĥôdech malê". A lua vista no trigésimo dia, é chamada "lua vista a seu tempo", e se foi vista no dia trigésimo-primeiro, é chamada de "lua vista na noite de sua declaração [de seu novo mês]."
"A vista da lua não é entregue a qualquer pessoa, como "chabát berechit", que toda pessoa conta a partir dele sete dias e descansa no sétimo. [A vista da lua] é dada ao Bet Din, até que o santifiquem, designando aquele dia "rôch ĥôdech" (primeiro do mês) - que então será (através de tal ato do Bet Din) o primeiro do mês, porquanto está escrito: "Este mês será para vocês..." - (Ex 12:2). - [quer dizer:] "Este testemuho será entregue a vocês". "O Bet Din faz cálculos, assim como fazem os astrólogos, que sabem onde se encontram os astros e os caminhos por eles percorridos, disquisitando até a exatidão, até saber se há possibilidade que ela seja vista a seu tempo, que é a trigésima noite, ou se não. Sabendo que é possível sua vista, sentam-se e esperam por testemunhas durante o dia todo. Vindo testemunhas, sendo estes inquiridos de acordo, conforme é necessário, constatando-se a veracidade de suas palavras, santificam o mês. Se não foi vista, ou não vieram testemunhas, completam-se os trinta dias, tornando-se o mês "hôdech me'ubar" e não se espera mais pelas testemunhas. Sabendo [o Bet Din] através dos cálculos que ela não serã vista, não se espera pelas testemunhas. Se estas vierem, sabe-se claramente que são falsas, ou que viram algo semelhante à lua por razão das nuvens pesadas, que não era a lua real."


- (Michnê Torá, Leis de santificação do mês, cp 1, halakhá 1-6). QIDUCHIN - Duas fases tem o casamento no judaísmo: a primeira, chama-se qiduchin, a segunda, nissuim. No período talmúdico era costume casar-se e após no mínimo um ano efetuar-se o ato de nissuim, ou seja, a consumação do casamento, o momento em que o noivo levava a noiva para o interior de sua casa na presença de testemunhas, e é o chamado "ĥupá", que em nossos dias foi transformado numa armação fictícia sobre a cabeça dos noivos, e acresce-se sobre isto o "ĥêder iĥud", ou seja, um quarto no salão previamente designado para a união dos jovens por alguns minutos, simbolicamente. Qiduchin é também chamado "erussin", que por influência ocidental no judaísmo atual é equiparado ao "noivado" cristão, ou "engagement". Após o ato de "erussin" ou "qiduchin" a mulher é casada para todos os efeitos, e o homem que tiver com ela algum relacionamento está plenamente passível de morte pela Torá, ou mesmo de morte espiritual (carêt), dependendo do caso. Os guardiães do judaísmo talmúdico, porém, desfazem-se destas influências externas.
QODACHIM - Literalmente, coisas santificadas. Entre os sacrifícios, especialmente, usamos esta denominação. Neste caso, dividem-se em "qodachê qodachim" e "qodachim qalim" . Alguns dos sacrifícios, bem como outros tipos de "qodachim" - devem ser comidos pelos cohanim, ou às vezes, mesmo por judeus comuns - sempre em lugar e tempo designado pela Torá. Dentre outras coisas que levam o nome de "qodachim", como por exemplo: ĥalá, terumá e ma'assêr cheni. Temos duas classes especiais de divisão de qodachim: qodachê mizbêiaĥ - ou seja, coisas santificadas para o altar, isto é para serem sacrificadas, e qodchê bêdeq ha-báit. O segundo refere-se ao fundo de objetos de uso e de valor do Templo, ou seja, o tesouro. (no singular: qôdech)
QÔDECH - santidade. O termo em si difere em muito do termo ocidental. "Santo" em hebraico tem mais a ver com algo especialmente separado. No momento do casamento dizemos ser a noiva "mequdêchet" - "santificada", isto é, separada dentre as outras especialmente para aquele homem.
QÔDECH HA-QODACHIM - (comumente traduzido "Santo dos Santos", ou "Santidade das Santidades") Local interior no Templo, separado por uma cortina especial, onde era guardada a Arca da Aliança, na qual acham-se as duas tábuas do testemunho da outorga da Torá. Neste lugar o sumo-sacerdote entrava no Iom Kipur, sendo proibida a entrada a ele por demais sacerdotes ou pelo sumo sacerdote mesmo a qualquer tempo. Na gravura, sinalamos o local chamado "Qôdech ha-Qodachim" com cor azul, e dentro dele, em ouro, a Arca do Pacto, na qual está contido o testemunho da outorga da Torá e do milagre do Sinai, as duas tábuas da Lei.
RADID - espécie de xale feminino com o qual cobriam-se as mulheres hebréias no período bíblico e talmúdico, usado sobre o lenço que cobre a cabeça. O "radid" cobre a cabeça e simultaneamente os ombros e os lados da face. É proibido, segundo o Talmud, que a mulher saia além do quintal (cercado, ou comum somente ao casal e demais esposas) somente com lenço como cobertura, devendo por sobre si este xale. Até mais ou menos cinquenta anos atrás ainda era comum em quase toda a dispersĕo sefardita do oriente, além das comunidades típicas orientais não sefarditas, como a persa e outras. Infelizmente, o ocidente adentrara o judeu mais que o judeu foi esparso, e hoje não só as mulheres cobrem-se segundo rabinos diversificados, que buscam mais serem queridos pelo público do que defender o correto segundo a Torá, pelo que até mesmo o que seria andar no caminho dos gentios em indumentos fizera-se permitido, como é o caso dos "chapéus femininos estilo Paris", ou outras coisas que, se nossas mães Sara, Rebeca, Raquel e Léa se levantassem ressucitadas, volveriam as faces.
RAV - comumente traduzido em português como rabino ou, um pouco mais arcaico, e ainda que incorretamente, arrabil, e pode referir-se a qualquer pessoa que ensina Torá, ou seja, a Lei de Moisés, oral ou escrita, dentro dos parâmetros do judaísmo. Serviu para o termo "rav" diferenciar os Sábios talmúdicos - os amoraim da Babilônia dos amoraim da Terra de Israel, os rabinos do período da gemará e dos tanaim, ou seja, os Sábios do período michnaico. O motivo da diferenciação era o fato de os amoraim da Babilônia não disporem da "semikhá", isto é, autoridade para legislar em todos os setores da Torá, e decidir leis, apesar de que sua sabedoria ultrapassava a de seus contemporâneos da Terra Santa, pois a semikhá somente pode ser concedida na Terra de Israel.
Optaram pelo título ("rav") para evitar estar usando algo que não lhes pertence ("rabi"), sendo seguido seu exemplo pelos sábios imediatamente posteriores a eles, após o selar do Talmud, que acresceram ao título o termo "gaon", quando se referisse a eles - que já não possuíam autoridade para decidir, nem legislar nada novo, senão baseando-se no Talmud e no que já foi promulgado por seus antecessores amoraim.
O título é usado atualmente para toda e qualquer pessoa que se ocupa de ensinar a Torá, escrita ou oral, sem significar exatamente que trate-se de um líder espiritual comunitário. A estes útimos, os sefaraditas intitularam ĥakham.
O termo "ĥakham" ("sábio") evitava confundi-los com os Sábios do passado, que dispunham da semikhá, ou seja, autoridade para legislar, que eram intitulados Rabi, sendo que em hebraico ao dirigir-se ao rabino comunitário como "meu rabino", dir-se-ia Rabi , evitando também equiparar-se aos amoraim e mesmo aos gueonim, que pouca distinção há entre os últimos rabinos do Talmud e estes. Para não parecer usurpar um título que não lhes cabe, optaram os rabinos sefaraditas, a exemplo dos gueonim babilônios em concernência a seus antecessores, pela cogominação respeitosa citada: ĥakham.
Em outras partes da diáspora, não aderiram a este bonito e louvável costume, talvez um dos motivos do desabono causado em nossos dias, no qual vemos rabinos decidindo leis às vezes, e não como se fossem membros do sanedrin, ou chefes dele, senão como se todo o sanedrin estivesse ali revestido em uma única pessoa, utilizando-se de regras talmúdicas quenão entenderam, como halakhá kebatraê, ou casos como determinações talmúdicas "'assá kemor o kemor - 'assá!" ("Quem fizer de acordo com tal rabino, o que fez está feito corretamente, e quem fizer como dissera o outro rabino, também!"), ou mesmo frases dos tanaím, como 'assê lekhá rav, vetistaleq min ha-safêq ("faça para ti um rabino, e escape à dúvida!") para nisto apoiar seu engano, sem haverem os mesmos entendido o real sentido de tais máximas. O título "rav" usado em todo o Michnê Torá, e nas "Leis de Estudo da Torá" em particular, refere-se ao instrutor de Torá por excelência.
RECH GALUTÁ - descendente do rei Joaquim (Iehoiakhin), o último rei da Casa de David na Terra de Israel, levado cativo para a Babilônia (2 Rs 24:12; Jr 52:31-34) - fora elevado ao posto de rei na autonomia judaica criada na Babilônia, e continuaram seus filhos após ele por aproximadamente 1500 anos, até que o khalifa de Bagdad condenasse o último a preencher o cargo (Ĥizqiah ben-David ben-Iehudá ben-David ben-Zacái), e seus dois filhos fugissem para a Espanha. Literalmente, significa "Líder do Exílio". O Rambam (Leis do Sanedrin - cp. 4 halakhá 14 [13, em algumas versões]) alude ao mesmo em hebraico (Rôch ha-Galút), conforme seu costume de traduzir para o hebraico, no livro Michnê Torá, todas as palavras aramaicas de uso entre os judeus. De acordo com o que se sabe, Zerubavel retornou à Babilônia, não restara na Terra de Israel uma só pessoa descendente do Rei David por linhagem paterna. Mesmo o Nassi tinha origem davídica materna somente, e paterna eram de Benjamin, conforme testifica Rabi Iehuda ha-Nassi no Talmud de Jerusalém.
REGALIM - são os três principais festivais anuais - pêssaĥ, chavu'ôt e sucôt. Também chamados em particular em linguagem singular "rêgel". O significado do termo é "pé", e alude ao preceito de peregrinar a Jerusalém e ao Templo nestes três períodos.
RICHONIM - São assim chamados os rabinos do período que começa com o final do período dos gueonim até a compilação do Chulĥan 'Arukh (entre o ano 1000 e o ano 1600 da e.g.).
ROCH ĤÔDECH - primeiro dia do mês hebraico, que principia a cada lua nova. O mês hebraico é lunar, e o ano é lunissolar. O primeiro dia do mês hebraico é comumente traduzido nas Bíblias cristãs como festa de lua nova, ou simplesmente lua nova. O termo ĥôdech deriva da palavra ĥadach, cujo significado é novo, devido à renovação da lua a cada mês. O nome roch significa "cabeça", e indica, no caso, intróito ou princípio.
ROCH HA-CHANÁ - primeiro dia do ano hebraico, a partir do mês de "tichrê" (por volta do mês cristão chamado "setembro"). O primeiro mês do ano para a contagem de anos de reinado conta-se a partir de "Nissan", que é o sexto mês após "tichrê" (mais ou menos, equivale ao período no qual cai o mês de "abril" entre os ocidentais). O termo "chaná" indica repetição sobre um mesmo ciclo, e tem a mesma raiz do nome Michná, primeira parte do Talmud.
SA'IR HA-MICHTALÉIAĤ - literalmente: "o bode a ser enviado", mas comumente se traduz como "o bode expiatório". Dois bodes são separados para o "Dia da Expiação" no Templo; um, é sacrificado; o outro, uma fita decor vermelha é amarrada em seus chifres e à porta do Templo. Este deve ser conduzido neste dia até um local chamado 'azazel, no deserto, onde é empurrado de sobre um local íngreme para o precipício. Sobre este confessa o "cohen-gadol" as transgressões de todo o povo de Israel.
SAVORÁ - são os geonim (plural hebraico de "gaon") imediatos à encerração e selar do Talmud. Saborá deriva do verbo "sabor", que significa "opinar". São assim chamados porque inseriram suas opiniões ao texto talmúdico, e é este o fator que distingue os saboraím dos demais geonim. De acordo com grandes estudiosos, quase todo princípio de uma gemará é de autoria saboraíta. Para melhor compreensão, veja o termo gaon ).
SEFARAD - no hebraico atual, Espanha. Designava antigamente a região meridional espanhola e portuguesa em conjunto. O norte de ambos passara a receber este nome com a perda desta conotação como designação especialmente cultural, cuja diferença ainda se sente na Espanha atual entre o norte e o sul. "Sefarad" é a região que pertencia ao mundo islâmico, especialmente ao califado de Córdoba. Os judeus desta região se prendiam fielmente aos ensinos e promulgações dos rabinos babilônios (ver gaon ) - mantendo-se fiéis à promulgação talmúdica simples. Suas próprias características nesse campo tornaram conhecido o nome "sefarad" entre os judeus, sendo que ser chamado "sefaradi" denotava isto. Daí, se expandira o nome pelo norte da África mesmo antes da expulsão em 1492.
SÊFER TORÁ - assim é chamado o rolo da Torá em pergaminho em hebraico. O Talmud designa determinada forma de trabalhar o couro para tanto com um trabalho especial feito à base de farinha de cevada, sal e sementes de determinada árvore chamada 'afatzá em hebraico.
SEMIKHÁ - autoridade transmitida por Moisés aos setenta juízes que fizeram parte de seu tribunal. A "semikhá" foi transmitida de geração em geração por cada tribunal até o período dos amoraím - os útimos sábios do Talmud - então foi interrompida. Com sua renovação, torna-se possível renovar o sanedrin e todos os juízos determinados pela Torá. A semikhá comum para o rabinato da atualidade não é a semikhá trasmitida de geração por Moisés, sendo que os rabinos que não a tem são chamados "rav", e os que a tem "rabi". Tampouco faz-se necessário a imposição de mãos para que alguém seja tido como "samukh", senão esta é recebida oralmente como declaração tribunálica. Somente Josué recebera a "semikhá" por imposição de mãos, por tratar-se de substituto primeiro de Moisés, e era necessário que o povo visse tal ato para que o seguisse. Os últimos rabinos a terem a semikhá desde o período talmúdico até nossos dias foram os amoraím (v. Amorá) da Terra de Israel. Sem a semikhá, não podem os rabinos julgar em todos os setores da Torá, incluindo "dinê kenassôt". (ver qenás). Apesar disto, há uma decisão rabínica unânime de que, mesmo sem a autoridade concedida pela "semikhá", se for extremamente necessário para o bem geral, podem os rabinos em seus tribunais em qualquer geração decidir juízos, mesmo além de sua autoridade, conforme aparece no quarto tomo do Chulĥan 'Arukh (Ĥôchen Michpat) em seus primeiros capítulos, para que não venham os ímpios a aproveitar-se do fato de não poderem ser julgados por não haver "semikhá". Em nossa época, porém, isto já não é aconselhável, pois que dificuldade há para os rabinos da Terra de Israel renovar a semikhá? E esta foi renovada em Nissan deste ano transato de 5764, pela misericórdia de Deus por seu povo, para que sejam julgados por seus juízes com justiça.
SINEAR - comumente traduzido, mesmo por grandes historiadores e geógrafos, como "Babilônia" - sendo errôneo, por não denotar senão parte dela e não toda a região pela qual se estendia esse país no passado ou na atualidade (com seu novo nome Iraque). O nome "Sinear" determina especialmente o setor no qual se assentara a autonomia judaica na Babilônia, governada pelos exilarcas da estirpe davídica, descendentes do Rei Joaquim (v. Rech galutá), em cuja região se assentaram as "iechivôt" ou tribunais dos "amoraim" e dos "geonim" e por este motivo o Rambam prefere este termo ao nome do país.
SOTÁ - a mulher da qual suspeitou o marido no concernente à fidelidade conjugal, que é trazida ao tribunal de setenta e um, onde lhe descobrem a cabeça e dão-lhe das águas amargas para beber. A partir do momento em que o marido se queixou de tal caso, o tribunal impõe-lhes a presença de uma pessoa com o casal, por ser lhes proibido contrair relações matrimoniais até quando ela tomar da água. Caso a suspeita tenha fundamento, e o esposo for uma pessoa irrepreensível, a mulher morre no mesmo local morte monstruosa e violenta, na qual seu ventre incha até o estouro, seus olhos saltam das órbitas e seus joelhos se desconjuntam e caem.
SUCÁ - cabana feita para os sete dias da festividade que leva o nome de "sucôt", ou seja, cabanas.
SUKÔT - plural de sucá.
TALMID ĤAKHAMIM - são assim cogominadas as pessoas que adquiriram o conhecimento da Torá, independente de serem reconhecidos como líderes espirituais comunitários, como os rabinos, ou não. Talmid significa aluno ou discípulo; ĥakhamim é o plural de sábio. O termo indica os discípulos dos sábios do talmud, os que andam por seus caminhos, seja em estudo ou em cuprimento de suas palavras e ensinos. Também este termo tomara conotações um tanto variadas, especialmente no leste europeu, onde foi transformado em talmid ĥakham, ou seja, aluno sábio - "o próprio aluno é o sábio". Após a mudança e o acréscimo das conotações diversificadas, logicamente como era de se esperar, empeçaram-se longas discussões acerca do título, sobre quem recai ou quem pode ser realmente tido como talmid ĥakham? - tal questionamento é trazido nos escritos dos famosos rabinos provençais, conhecidos como ba'alê ha-tossafot, ou como conhecidos no meio ortodoxo achkenazita - seus principais adeptos e estudiosos - "ha-tossfois". Eles questionam, e eles próprios buscam responder sobre o caso satisfatoriamente. Nos escritos dos geonim babilônios, portadores da verdadeira tradição diretamente recebida dos compiladores do Talmud, bem como nos manuscritos do Michnê Torá, a forma trazida é a transcrita aqui.
TALMUD - Compêndio composto de duas partes: Michná e Gemará. Também leva este nome a terceira fase do estudo da Torá, no qual meditava-se sobre o aprendido na Torá escrita e nas coisas recebidas diretamente de Mochê Rabênu geração após geração e nas regras pelas quais se explica a Torá, tirando conclusões finais, que é o que dera o nome ao compêndio.
TAMID - sacrifícios diários, que são dois: um pela manhã e um pela tarde.
TAQANÁ - literalmente, conserto. São decretos rabínicos, geralmente positivos, com função análoga à de gezerá, com poucas exceções, como quando nos traz algum mandamento para que guardemos na lembrança milagres e libertações que Deus fizera por nós. Por exemplo: 'Erubin, leitura do rolo de Ester, ĥanuká, etc.
TEBÁ (ou Tevá na pronúncia moderna) significa "baú", "arca" ou algo parecido, e é o termo usado para a "Arca de Noé". Em sentido mais amplo, designa-se a mesa colocada no centro da sinagoga, onde o "chaliaĥ tsibur" reza os trechos da oração que devem ser ditos unicamente por ele, e o público responde "amén", ou mais algumas palavras, de acordo com o trecho. Em nossos dias, porém, na maioria das sinagogas em todo o mundo o público reza em conjunto com o "chaliaĥ tsibur" tudo, tanto o que este deveria proferir e desobrigar aos demais (como as bênçãos do Chemá', por exemplo), quanto ao que recai a obrigação sobre o público a recitação cada um por si mesmo, como o Chemá' em si, ou a 'amidá.
TEFILIN - traduzem este termo em português " filactérios", palavra de origem grega, e são dois: o do braço e o da cabeça, pelo que está escrito na Torá: "Serão por sinal sobre tua mão, e por frontais entre teus olhos..." - Dt 6:8. Este preceito tem grande importância no judaísmo, por servir de ajuda imensa para o judeu, que ao levar o nome de Deus escrito sobre si, se enche de temor, seriedade e respeito, pelo que é uma pena que os pormenores deste preceito tenham sido deixados no esquecimento pela maioria dos rabinos, que não somente não cuidam de explicar o feitio deste preceito para as pessoas em geral, especialmente para os jovens a partir dos treze anos, senão são os primeiros a proibir, caso inquiridos, o usá-los sobre si durante o dia todo, pelo que a maioria usam-nos somente durante a oração matutina.
No talmud consta que os Sábios cuidavam de não andar nem quatro côvados (dois metros) sem ter sobre si os "tefilin", e escreveram que todo o tempo que o homem hebreu encontrar-se sem eles postos em seu braço e em sua fronte - incorre em anulação de preceito positivo, que é mais grave de que transgressão sobre preceitos negativos. Os primórdios do abandono do cumprimento deste preceito como se deve remonta ainda às perseguições e decretos anti-judaicos do Império Romano (Chabat 49:a - extraíam o cérebro da pessoa em vida, através de um orifício aberto no local onde se põe o filactério da cabeça), e os geonim da Babilônia alertaram sobre o perigo de tomarem os judeus na Babilônia e no mundo exemplo dos da Terra de Israel, que após haverem se acostumado com os decretos dos romanos, mesmo após a anulação deles já não cuidavam de manterem os filactérios postos durante o dia todo. Tal mau costume de desprezo de um preceito tão importante atingira maiores proporções durante o longo exílio, perante o escárnio dos gentios.
Entre os maiores rabinos das últimas gerações que tentaram devolver este preceito para seu real lugar - está o Gaon de Vilna - Rabi Eliahu ben-Chelomoh Ĥassid. Ele não só foi exemplo vivo, não andando a exemplo dos sábios talmúdicos nem mesmo quatro côvados sem ter sobre si os "tefilin", senão escrevera acerca do trazido no Chulĥan 'Arukh por Rabi Iossef Caro uma reparação às suas palavras: "O preceito [de tefilin] é que estejam postos durante todo o dia; mas, por razão de limpeza corporal (quer dizer: intestinal), e por razão de descontração - acostumaram-se a não colocá-los durante o dia todo..." - (Siman 37, se'if 2) - sobre o que escreve "...o Gaon de Vilna uma listagem de páginas talmúdicas (Berakhot 44b - tossafot: Na Terra de Israel costumava-se proferir uma bênção especial para tirá-los à noite; Menaĥôt 36b - Rabi Ĥiiá e Raba bar rav Huná oraram no caminho em viagem, tendo-os postos; menaĥôt 37b - Rav Achê encontrava-se sentado perante Amimor, e apareceu seu filactério braçal; Iomá 86a: "Disse Rabi Ioĥanan (como exemplos de profanação do Nome de Deus:" - Por exemplo, eu, que caminho mais que quatro côvados sem tefilin..." "; Chabat 118b: "Disse Rav Chechat: "...eu cumpro o peceito de tefilin!" ", Rachi explica: "não andava mais que quatro côvados sem tefilin."; Sucá cap. 2 - todo o cap. trata de assuntos como quem dormiu e esqueceu de tirar os tefilin, sendo proibitivo dormir com eles sobre si, mas nos lembra especialmente a pág. 28a, onde lemos que Rabi Ioĥanan ben-Zacái jamais andou quatro côvados sem tefilin; e capítulo 4 de Megilá, pág. 28a: "Perguntaram a Rabi Zera: Como mereceste a longevidade de dias?" - Entre as razões que enumera, disse: Jamais andei quatro côvados sem tefilin...";), e sela suas palavras, dizendo: "...uchmá' minah!" - ou seja: "...e aprenda do promulgado no Talmud!" . Os Sábios dizem que o fato de tal preceito ser tão desprezado pela maioria se dá devido a ser este um dos preceitos sobre os quais os judeus não se mostraram dispostos a morrer por ele, em tempos de perseguição e decretos anti-judaicos, como se entregaram à morte pelo preceito da circuncisão e da guardia do chabat (Tr Chabat 49a e 133b).
O termo "filactério" nada tem a ver com a palavra "tefilin" - sendo que os gregos pensavam que os "tefilin" fossem uma espécie de talismã, que é o significado da palavra em sua fonte. (Clique aqui para voltar)
TECHUVÁ - pela tradição sefardita de pronúncia do hebraico: techubá, e os asquenazitas pronunciam em todo lugar no qual o "b" seja lene "v", que foi admitido na pronúncia israelense. "Techuvá" deriva do verbo "chav" - "volta", "retorna", "regressa". Em sentido de transgressões, tem duplo sentido: significa que a pessoa "tornou a Deus de seu erro cometido", e significa que "voltou de seu erro", ou seja, que ao mesmo já não voltará. O mandamento principal no momento em que a pessoa abandona o erro, é a confissão perante Deus do que fez, sem a qual não se leva em conta seu "tornar a Deus", por ser parte intrinsecamente ligada ao arrependimento sincero. A pessoa que diz estar arrependido de determinada má ação e volta a cometê-la é comparado a um cachorro que torna a seu próprio vômito. A pessoa que se arrependera de seus maus atos, confessara perante Deus e mantém-se assim, é chamado "ba'al techuvá", e no plural, ba'alê techuvá.
TEREFÁ - Literalmente, refere-se à carne dilacerada por algum animal carnívoro encontrada no campo. Outrossim, o termo se refere também à carne de um animal que leva problemas especiais de saúde que, sem dúvida, causar-lhe-ão a morte prematura, problemas tais reconhecidos unicamente por um choĥet especializado, que após o abate deve examinar certas regiões corporais interiores do animal abatido, ou por um sábio de Torá versado no caso. Tal carne é-nos proibida, assim como o é a carne de "nevelá", sendo a distinção entre elas unicamente no caso de transmissão de impureza, que a "nevelá" transmite ao ser carregada, e a terefá, não. (Pronunciado erroneamente "trefá" por influência judaico-européia)
TERUMÁ - Trata-se da principal divisão das coisas santificadas, as quais devem ser entregues aos cohanim e aos levitas (terumá - não tem medida pela Torá, e os Sábios decretaram que não fosse dado menos que 1/40, ou no mínimo - 1/60 dos frutos do campo, para evitar que os avaros deixem de dar uma boa porção; ma'assêr - do que sobrou após a separação da terumá, é separada uma décima parte e dada ao levita [O termo ma'asser deriva de "'esser" = dez]; o levita, por seu turno, também separa sua parte a ser dada ao cohen, que é chamada terumat ma'assêr - "a 'terumá' da dízima"; uma décima parte de tudo o que sobrou deve ser separada pelo dono dos frutos, após haver entregue a 'terumá' ao cohen e o 'ma'asser' ao levita para dela comer dentro dos portais de Jerusalém, fazendo parte dos qodachim (cousas santificadas) a serem comidos na Santa Cidade, e é chamado ma'assêr cheni; esta porção, nos anos terceiro e sexto é chamada ma'assêr 'ani - e, ao invés de ser comida em Jerusalém como nos demais anos, é distribuída para os pobres ['ani=pobre]. Quanto à contagem dos anos é feita a partir do ano sabático ["chemitá"]). Pela Torá, conforme já explanado, qualquer quantia é válida para cumprir com o preceito de terumá, porém os Sábios determinaram que não seja dado ao cohen menos do que 1/60 do produto. Disseram: bom olho, 1/40; mediano, 1/50; mau olho, 1/60, e não se pode dar menos que esta quantia. V. Dt 18:4. Em nossos dias estão os sacerdotes levíticos impossibilitados de comerem a terumá, devido à impureza (tumá) geral, ocasionada por mortos. As condições para que o cohen coma a terumá são que esteja esta impura, e que esteja ele mesmo puro. Como impureza de mortos carece da cerimõnia da aspersão da cinza da vaca vermelha, e para tal dependemos do Templo em funcionamento, não há em nossos dias nem cohen que seja puro para comer qodachim, nem terumá pura. Entretanto, é proibida, mesmo impura, ao alimento de israelitas e demais levitas.
TERUMÁ GEDOLÁ - é a primeira porção separada para o cohen, após a qual a dízima é entregue ao levita, e este, por seu turno, separa a segunda terumá, que á chamada "terumat ma'assêr".
TEVILÁ - imersão em águas reservadas numa miqvá (reservatório especial de águas de chuva, que obedece aos critérios da Lei hebraica), ou em uma fonte de água natural (na qual há ainda outros critérios, embora mais simples que os da miqvá)
TODÁ - quatro são os tipos de sacrifício "chelamim" - um público e três particulares. O tipo de chelamim particular que era acompanhado pelo pão, era chamado "todá", e o pão, "lêĥem todá". Vinha este sacrifício, por voto ou por dádiva.
TÔFET - nome de um lugar dentro do vale de Hinom, ao lado de Jerusalém (cidade velha). Assim como o nome do vale, Gê Hinom - foi usado metaforicamente pelos profetas para indicar a destruição à qual serão submetidos os iníquos. Para os que crêem na existência de um local de sofrimento espiritual após a morte - este nome é aplicado a isto.
TSADOQ, BAITOS - dois fundadores de duas seitas judaicas que negavam a autenticidade da Torá Oral, a ressurreição final e o mundo vindouro. O nome "Tsedoqi" - "adepto de Tsadoq" foi posteriormente traduzido pelos cristãos como "saduceu". Ambas as seitas nasceram no período do reinado dos hasmoneus, e como símbolo de separação de pessoas assim, os que se mantiveram fiéis como antes a seu surgimento ao que fora outorgado no Sinai - a Torá Oral, passaram a chamar-se "peruchim" - "separados", que os cristãos traduziram por "fariseus", conspurcando-lhes a imagem.
TUMTUM - denomina-se assim a pessoa que nasce com os órgãos sexuais ocultos, sem que se possa definir qual é seu sexo, se masculino ou feminino.

TZALUV - deriva da palavra "tzelav" = cruz. O crucificamento do "messias" europeizado, apesar dos relatos não fundamentados de determinados livros de certa religião ocidental, nada tem a ver com o que se refere a Torá por crucificação ou pendurar em madeiro; daí, quiçá, a grande controvérsia no meio ocidental acerca do original sentido da palavra grega "staurós" - que traduzem, uns por "cruz", outros por "madeiro", simplesmente. No meio dos gentios, especialmente entre os romanos, era comum este ato de crueldade, que por interferência de pessoas notavelmente cultas, mas inimigos doentios do povo judeu, fulcros da religião cujo nome não prefiro não especificar, atribuíra-se aos judeus, pela similariedade que acharam entre a pena de "pendurar o cadáver do condenado à morte após sua execução" com a penalidade gentílica que executava o indivíduo à morte lenta na cruz, exposto ao calor causticante do sol. Entre os judeus, a crucificação é apenas um símbolo de maldição, sendo o cadáver (e chamo a atenção aqui para o termo utilizado, pois o pendurar era feito apenas após a morte) amarrado pelos punhos, pendurado por uma corda a uma meia trave (gravura). Jamais foi tido como uma das formas de "pena capital" no judaísmo. Os filósofos da já citada religião - no séc. XVIII, juntaram todos os restojos de palimpsestos que possuíam e inventaram o livro que serve como base para o que chamo de "greco-romanismo" ocidental, com falsificadas imagens culturais, religiosas e outras acerca do judaísmo em si, e do povo judeu em particular, tornando-nos algo similar a demônios para o ocidente, causando a proliferação do anti-semitismo que se propalou e perdura propalando-se por todo o ocidente. Cabe insinuar aqui que o ódio aos judeus no ocidente e o que se apresenta no meio semítico (nações árabes) - difere muito.
TZARÁ'AT - Traduzido erroneamente nas versões cristãs da Bíblia por lepra, por desconhecerem o fato da possibilidade de haverem manchas na pele que nada tenham a ver com a enfermidade de Hansen, ou porque na idade média costumavam isolar o enfermo dos que o circundavam para evitar a assimilação da doença, altamente contaminosa. Após a destruição do Templo pelos gentios, a neg'á tzará'at nunca mais foi vista, tratando-se de um dos grandes feitios de Deus, pois sua purificação depende do trabalho sacerdotal no Templo. Os idólatras na idade média pensaram que o afastamento da pessoa conforme prescrito na Torá dava-se a medidas da Torá, certamente por crer ser esta, ou partes dela, fruto da mente de nosso profeta Moisés, (conforme ainda dividem entre eles alguns a lei judaica entre "lei ritual" e "lei divina",) evitando assim que se alastrasse a "lepra" entre o povo, por nunca haverem tido o mérito de um convívio próximo a Deus como o que tiveram nossos pais durante o período da existência de nosso Santuário em Jerusalém. É chamada também simplesmente "neg'a", e no plural: nega'im. Quatro são os tipos de tzará'at: bahêret, branca como a neve; seê, branca como a membrana que envolve o ovo; sapáĥat bahêret e sapáĥat seêt, cada uma semelhante a uma das anteriores. É importante que se saiba que nem toda mancha esbranquiçada na pele é tzaráat, alêm do que, mesmo que seja, para determinar se é pura ou impura, depende-se da determinação do cohen (sacerdote aarônico) versado nas leis concernentes.
ZAV - Homem que tem fluxo seminal, o qual causa sua impurificação por tempo determinado. Para sua purificação são necessárias águas vivas, isto é provenientes de fonte natural.
ZAVÁ - Feminino de zav. Neste caso o fluxo é sanguíneo, e sua purificação não necessita ser feita em fonte de águas vivas, como no caso do zav, senão, a imersão em uma miqvá comum é suficiente.
ZONÁ - na atualidade, este termo é normalmente tido como prostituta, enquanto que o termo verdadeiro para tal em hebraico é "qedechá". O termo "zoná" se aplica a uma mulher que teve relações com quem é-lhe proibido em seu estado atual, por exemplo, um judia que contraíra relações com um homem com o qual não poderia jamais casar-se em seu estado vigente, por exemplo, um não-judeu ou com alguém que ela, em sua situação, seja-lhe proibida, como é o caso de um cohen com uma viúva ou uma divorciada. Nos casos primeiros, podemos citar, por exemplo, por ser "'ervá": mãe, irmã, cunhada, sogra, etc. (V. final da lista de preceitos negativos sobre esta série de relações proibidas) - de todas as relações proibidas, somente o nascido de um cohen com uma nidá é apto para o sacerdócio, posto que não há na nidá proibição especial para o cohen, senão equivalem nela todos os hebreus. Ser uma mulher "zoná" não significa estar ela vendendo seu corpo como fazem as prostitutas, senão o fato de haver contraído relações com qualquer que lhe seja proibido uma vez na vida, ou haver-se dado a quem ela é-lhe proibida.



PENALIDADES:

(Obs.: Todas as penalidades capitais são aplicadas somente estando o réu um tanto embriagado)
Hêreg - morte por espada (sêif), golpeando no pescoço. O nome concerne a certo tipo especial de espada de filo extremamente curvo, comum entre os árabes. O nome em árabe é o mesmo.
Ĥêneq - pena capital por enforcamento. Um lenço é colocado em volta do pescoço do transgressor que incorre nesta penalidade e puxado para cada uma das extremidades pelas testemunhas que levaram-no à condenação.
Macát Mardút - pena de látegos para transgressão de preceitos rabínicos, sem número estipulado. Geralmente, quando se diz ¨isento¨ sobre alguma transgressão da Torá, incorre o indivíduo nesta penalidade, estando isento apenas na penalidade designada pela Torá por não haver preenchido todos os requisitos necessários.
Malqôt (ou malqút) - pena de açoites para o transgressor de certa classe de mandamentos da Torá. São em número de trinta e nove para cada transgressão que haja cometido. Não se deve confundir esta penalidade com a pena de açoites pela transgressão de preceitos rabínicos talmídicos, chamada macát mardút, cujo número de golpes não é previamente designado, e o tribunal decide em cada caso, assim como podem eximir completamente o transgressor.
Seqilá - traduzido comumente pelos tradutores da Bíblia como apedrejamento. Tradução errônea, pois a palavra hebraica exata para apedrejamento é "rigmá". A seqilá é feita num lugar previamente designado, e a pessoa é lançada do alto sobre uma pedra, morrendo pela queda. Caso não morra, é então apedrejado (rigmá).
Serefá - dá-se à pessoa metal incandescente que, sorvido, causa morte instantânea.



MEDIDAS:

EFÁ = três sein (plural de seá).
SEÁ - seis qabin (plural de qav).
QAV - quatro login (plural de log).
LOG - seis betzim (ovos médios.)
BETZÁ um ovo mediano.
ZÁIT um terço de um betzá (uma azeitona mediana) = kezáit ou cazáit - como uma azeitona.
'UCLA = ½ revi'it
REVI'IT = 0.13 de um litro de nossos dias, mais ou menos (de acordo com os rabinos da atualidade em sua maioria - 86 ml).
LITRA = duas revi'iôt



VALORES MONETÁRIOS: MA'Á - peso equivalente ao de 16 grãos de cevada (medianos) - pode ser ouro ou prata.
DINAR - equivale a seis ma'ot (plural de "ma'á")
SEL'Á - (pural: sela'ím) quatro "dinarim" (plural de "dinar").
MANÊ - cem "dinarim".



AMÁ - (plural: "amôt") um côvado - aproximadamente meio metro. Muitos sábios nesta geração tentam dar a isto uma medida exata, alguns aumentam, outros diminuem de meio metro alguns centímetros.

MIL - medida de distância. Equivale a dois mil côvados, ou seja, aproximadamente um quilômetro. Plural em linguagem dos Sábios do Talmud: "milin" ("N" no final, e não "M", como no hebraico comum).
PARSÁ - oito mil amôt. (medida de distância.) Mais ou menos quatro quilômetros.
TÊFAĤ - (plural: "tefaĥim") equivale à distância que há entre a parte de baixo de um punho fechado e a parte de cima, na mão de uma pessoa mediana, nem baixa, nem alta - mais ou menos dez centímetros.
ETSB'A - equivale à largura de um polegar de pessoa mediana, medido por seu lado interior. O mesmo que a distìncia entre sete sementes médias de cevada colocadas lado a lado e bem juntas.



















































































































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Atenciosamente, Ricardo A. Crasto

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